Política

Moraes nega novo pedido e Bolsonaro deixará hospital para voltar à prisão da PF

Ministro do STF rejeita manutenção de prisão domiciliar após alta médica; ex-presidente, condenado a 27 anos por tentativa de golpe em 2022, será levado de volta à Superintendência da Polícia Federal em Brasília

01/01/2026 às 13:21 por Redação Plox

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um novo pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para que ele retornasse à prisão domiciliar após deixar o Hospital DF Star, em Brasília, onde está internado desde 24 de dezembro. Com a decisão, após receber alta, Bolsonaro deve voltar à Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre pena.

A previsão é que o ex-presidente deixe o hospital nesta quinta-feira (1/1), depois de ter passado por uma endoscopia na quarta-feira (31/12) e apresentar melhora no quadro de saúde.

Bolsonaro teve um novo pedido de prisão domiciliar negado por Alexandre de Moraes

Bolsonaro teve um novo pedido de prisão domiciliar negado por Alexandre de Moraes

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


Defesa cita precedente de Fernando Collor

No pedido negado, o advogado Paulo Cunha Bueno argumentou que o benefício da prisão domiciliar foi concedido ao também ex-presidente Fernando Collor de Mello, em razão de complicações de saúde, e que o risco de agravamento do quadro de Bolsonaro seria suficiente para justificar a mudança de regime.

Após as intervenções cirúrgicas a que o presidente Bolsonaro foi submetido nos últimos dias, e diante do novo quadro de saúde, a defesa acaba de realizar o protocolo de novo pedido de prisão domiciliar. Considerando, a um só tempo, a atualização e agravamento do quadro médico e o paradigma da recente concessão do mesmo benefício ora pleiteado ao presidente Fernando Collor de Mello.

Paulo Cunha Bueno

Bolsonaro foi submetido a dois procedimentos para tratar uma crise de soluços. Na terça-feira (30/12), por volta das 10h, ele apresentou uma nova crise, e os médicos decidiram fazer um “reforço” no bloqueio para tentar controlar o sintoma.

O ex-presidente está internado desde a manhã de quarta-feira (24/12), quando deixou a Superintendência da PF, onde estava preso havia 32 dias. A internação para realização da cirurgia de retirada de hérnia foi autorizada por Alexandre de Moraes.

Equipe médica mantém alta programada

A equipe do Hospital DF Star mantém a alta de Jair Bolsonaro programada para a manhã de quinta-feira. A transferência da unidade hospitalar de Brasília para a Superintendência da PF dependerá de decisão da Justiça e da atuação da polícia penal.

O cirurgião Cláudio Birolini ressaltou que os médicos têm acesso liberado ao ex-presidente na carceragem da PF e destacou que serão feitas recomendações à superintendência para garantir a manutenção dos cuidados necessários com o quadro de saúde de Bolsonaro.

Em relação aos soluços, foram realizados testes com bloqueio do nervo frênico. Desde sábado (27/12), o ex-presidente passou por três intervenções em centro cirúrgico para tentar interromper os episódios, mas os resultados ficaram aquém do esperado pelos médicos.

Segundo Birolini, o bloqueio reduziu a intensidade dos soluços, mas não os eliminou por completo, o que indicaria que o estímulo “provavelmente é de origem no sistema nervoso central”, e não em estruturas do pescoço para baixo.

Cirurgia de hérnia e histórico de procedimentos

Na quinta-feira (25/12), Bolsonaro foi submetido a uma herniorrafia inguinal bilateral, seu oitavo procedimento cirúrgico desde que foi vítima de uma facada durante a campanha presidencial de 2018. A cirurgia, com duração de cerca de três horas, retirou hérnias na região da virilha, e a previsão inicial era de internação entre cinco e sete dias.

De acordo com o cirurgião-geral Cláudio Birolini, a operação transcorreu sem intercorrências. A hérnia do lado direito era maior, enquanto, no lado esquerdo, ainda estava em fase inicial, mas com potencial de evoluir para o mesmo quadro em poucos meses. Assim, os médicos optaram por corrigir as duas regiões no mesmo procedimento.

Retorno à PF após a alta hospitalar

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser levado de volta à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, assim que receber alta do Hospital DF Star, retomando o cumprimento da pena em regime fechado.

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