Moraes nega visita de Magno Malta a Bolsonaro na Papuda e cita uso indevido de prerrogativas

Decisão do STF afirma que o senador tentou ingressar no complexo sem autorização judicial e que a conduta poderia afetar disciplina e segurança; parlamentar nega “carteirada” e fala em perseguição política.

01/02/2026 às 13:33 por Redação Plox

O senador Magno Malta (PL-ES) reagiu à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que barrou seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no Complexo da Papuda, em Brasília.

Moraes não autoriza Magno Malta visitar Bolsonaro

Moraes não autoriza Magno Malta visitar Bolsonaro

Foto: Senado Federal


A decisão, assinada em 29 de janeiro de 2026, afirma que o parlamentar tentou ingressar na unidade sem autorização judicial prévia e teria usado de forma indevida suas prerrogativas parlamentares. Para Moraes, a conduta representaria risco à disciplina e à segurança do sistema de custódia.

Senador nega tentativa de ‘carteirada’

Magno Malta nega ter tentado invadir o presídio ou desrespeitar normas de acesso. Ele sustenta que a narrativa apresentada na decisão do STF não corresponde ao que ocorreu e argumenta que, se tivesse cometido qualquer irregularidade, não teria deixado o local em liberdade.

Se eu tivesse tentado invadir qualquer instalação militar, eu estaria preso ou morto

Magno Malta

Segundo o senador, ele apenas passou pelo complexo, aproximou-se da guarita, se identificou como parlamentar e perguntou pelo oficial de dia. Após conversar com um militar, disse ter entrado na área conhecida como Papudinha para observar as condições do local onde Bolsonaro está custodiado, sem buscar contato direto com o ex-presidente.

O parlamentar afirma ainda que a ida ao presídio também teve caráter religioso, relatando que fez uma oração no espaço. Ele sustenta que sua presença na Papudinha não teve o objetivo de burlar regras de visita nem de obter tratamento privilegiado.

Vídeo e gravações nas proximidades da Papuda

Imagens que mostram o carro de Magno Malta nas imediações da unidade prisional foram confirmadas pelo próprio senador. Ele admite ter gravado um vídeo enquanto orava, mas diz que interrompeu a filmagem assim que foi advertido por um militar.

Acusações de perseguição política

Magno Malta também associa o episódio a uma possível perseguição política. Ele lembra que recentemente assinou, ao lado de outros senadores, um pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, relacionado a desdobramentos do caso envolvendo o banco Master, em processo sob relatoria de Toffoli.

Ao comentar a decisão de Moraes, o senador voltou a dizer que não cometeu crime e que suas ações são transparentes. Para ele, a resistência do STF em autorizar a visita se insere em um contexto de embates políticos recentes no tribunal.

Moraes mantém controle rígido de visitas a Bolsonaro

Na mesma decisão em que negou o acesso de Magno Malta, Alexandre de Moraes reafirmou o controle rigoroso sobre as visitas a Jair Bolsonaro. Estão autorizados apenas familiares, advogados e médicos previamente cadastrados. O ministro também rejeitou pedido semelhante apresentado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por ele ser investigado em inquéritos ligados ao caso.

Com isso, Moraes mantém restrito o acesso ao ex-presidente na Papudinha, enquanto aliados de Bolsonaro, como Magno Malta, tentam sustentar que há motivação política nas negativas impostas pelo STF.

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