Dipirona é proibida em vários países, porque não no Brasil? Descubra

O uso da dipirona requer supervisão médica para evitar complicações

Por Plox

01/03/2024 08h33 - Atualizado há cerca de 2 meses

A dipirona, um analgésico e antipirético com mais de um século de presença no mercado, é amplamente utilizada no Brasil, onde é vendida sem prescrição e figura entre os medicamentos mais comercializados. No entanto, sua situação é bem diferente nos Estados Unidos e em várias nações europeias, onde está proibida há décadas devido a preocupações sobre possíveis efeitos colaterais graves, como a agranulocitose, uma condição potencialmente fatal que afeta as células de defesa do sangue.

Foto: Reprodução/ Pixabay

Originária da Alemanha e conhecida popularmente pelo nome comercial Novalgina, a dipirona é encontrada em diversos produtos disponíveis sem receita nas farmácias brasileiras. Sua proibição em países como os EUA, Reino Unido, Austrália e parte da União Europeia ocorreu após estudos nos anos 1960 e 1970 sugerirem um risco de agranulocitose, embora investigações posteriores, como o Estudo Boston, tenham demonstrado uma incidência muito baixa dessa condição em usuários do medicamento.

 

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras entidades de saúde mantêm a posição de que a dipirona é um medicamento seguro quando utilizado conforme as indicações, destacando sua eficácia comprovada como analgésico e antitérmico. Além disso, estudos realizados na América Latina reforçam essa visão, indicando uma taxa muito baixa de agranulocitose entre a população.

Empresas farmacêuticas, como a Sanofi e a Hypera Pharma, enfatizam a conformidade da dipirona com as regulamentações da Anvisa e destacam sua eficácia inquestionável, baseada em mais de 100 anos de uso mundial. A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (Acessa) também defende sua segurança, desde que as doses recomendadas sejam respeitadas e a automedicação excessiva seja evitada.

 

A eficácia da dipirona é sustentada por estudos que demonstram sua capacidade de aliviar a dor moderada a severa, inclusive em comparação com outros analgésicos comuns. No entanto, o medicamento deve ser utilizado com cautela, respeitando as dosagens indicadas e considerando possíveis efeitos colaterais, como reações alérgicas e hipotensão. Especialmente em pacientes com condições renais ou hepáticas, o uso da dipirona requer supervisão médica para evitar complicações.

Em resumo, enquanto a dipirona permanece uma opção terapêutica valiosa e amplamente aceita no Brasil, seu status nos Estados Unidos e em outras partes do mundo reflete a complexidade das discussões sobre segurança e eficácia dos medicamentos, destacando a importância da vigilância regulatória e da pesquisa científica contínua.

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