Bolsonaro critica decisão que torna Le Pen inelegível e compara com seu caso no Brasil
Ex-presidente brasileiro vê 'ativismo judicial da esquerda' na condenação da líder da ultradireita francesa e relaciona episódio à sua própria inelegibilidade
Por Plox
01/04/2025 10h59 - Atualizado há 5 meses
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou duramente a decisão da Justiça francesa que declarou Marine Le Pen inelegível por cinco anos. Em entrevista à agência Reuters, Bolsonaro afirmou que o caso representa 'um claro ativismo judicial da esquerda', fazendo um paralelo com o processo que o tornou inelegível no Brasil.

Bolsonaro, que está impedido de concorrer a cargos públicos até 2030, é acusado de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação com o intuito de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Além disso, recentemente se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Durante a entrevista, Bolsonaro questionou os fundamentos da condenação de Le Pen, afirmando: 'Que desvio de recurso público é esse da Le Pen?'. Ele também citou o ex-presidente norte-americano Donald Trump, dizendo que o republicano enfrentou acusações semelhantes e, mesmo assim, se manteve como uma figura política influente. 'Trump foi acusado, é bilionário, líder do maior partido, conseguiu enfrentar', afirmou.
Marine Le Pen, uma das principais representantes da ultradireita na Europa e apontada como favorita para as eleições presidenciais de 2027 na França, foi condenada por apropriação indevida de fundos da União Europeia. A sentença, que a torna inelegível por cinco anos, também impõe uma pena de quatro anos de prisão e uma multa de 100 mil euros, o equivalente a aproximadamente R$ 618 mil.
Apesar da condenação, tanto a pena de prisão quanto a multa ainda não serão aplicadas até que todos os recursos judiciais estejam esgotados. Le Pen é líder do partido União Nacional (RN) e sua exclusão do processo eleitoral gerou forte repercussão internacional.
As declarações de Bolsonaro surgem em meio ao agravamento de sua própria situação jurídica no Brasil, reforçando sua narrativa de perseguição política e judicial por parte de instituições que ele associa à esquerda.