Pais acusam hospitais de negligência após morte de menino picado por escorpião

Família registrou boletim de ocorrência e exige investigação contra unidades de Inhapim e Ipatinga após falhas no atendimento do filho de dois anos

Por Plox

01/04/2025 19h28 - Atualizado há 5 meses

Os pais do menino, de dois anos, que morreu vítima de picada de escorpião, acusam dois hospitais da região de negligência. O caso ocorreu no dia 22 de março. A família, que mora em Dom Cavati, estava a passeio na zona rural de Ubaporanga quando André Luiz Ribeiro de Oliveira foi picado. Os pais o levaram para o Hospital São Sebastião, em Inhapim, e depois a criança foi transferida para o Hospital Eliane Martins, em Ipatinga, onde ele morreu horas depois. O Plox recebe, nos estúdios, os pais Sabrina Oliveira de Souza e Fernando Ribeiro Luiz e o advogado Fernando Ângelo. Assista à  entrevista ao vivo.



O primeiro atendimento ocorreu no Hospital São Sebastião, em Inhapim. A família afirma que chegou ao local por volta de 17h40 e que a unidade inicialmente se recusou a atender a criança alegando que Dom Cavati, município de origem da família, não possui convênio com Inhapim. Outro ponto grave citado é que o menino não teria recebido o soro antiescorpiônico, com a mãe alegando: “a única coisa que foi dada para o menino foi o soro normal, remédio para vômito e para a pressão; medicamentos esses que nem constam no prontuário médico”.

Imagem Foto: Arquivo pessoal

Os pais também contestam a autenticidade da assinatura da mãe no prontuário médico e relatam que não foi disponibilizada ambulância para a transferência até Ipatinga.
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Inhapim, o Hospital São Sebastião é filantrópico e privado. O que ocorre é que o município  repassa subvenção para atendimento de pronto-socorro no contraturno das unidades de saúde, horário das 18h às 7h, e fim de semana.
Versão do Hospital São Sebastião
A unidade afirmou que André deu entrada já em estado avançado de envenenamento, com sintomas como vômito, sonolência e sudorese. O hospital diz ter seguido os protocolos clínicos recomendados, incluindo a administração de soro antiescorpiônico. Diante da gravidade e ausência de UTI na unidade, foi indicada a transferência, realizada com o menino já estabilizado.
O hospital manifestou solidariedade à família e reafirmou seu compromisso com a segurança e qualidade no atendimento.

Imagem Foto:



Acusações contra o Hospital Municipal de Ipatinga
Os pais do menino André Luiz Ribeiro de Oliveira, de apenas dois anos, denunciam que houve negligência no atendimento do Hospital Municipal Eliane Martins (HMEM), em Ipatinga, após ele ser transferido vítima de picada de escorpião. Segundo os pais, a criança ficou cerca de três horas, até por volta de 3h da manhã, recebendo o soro aplicado no hospital anterior — que, conforme relatos da mãe, “estava errado” e só foi substituído pelos profissionais do HMEM muito tempo depois.
Ainda de acordo com os pais, o menino permaneceu entre 19h e 22h30 em uma sala de atendimento, mesmo com sintomas severos como vômito e dificuldade para respirar, sem que fosse considerado um caso de emergência. O pai também relatou que os batimentos cardíacos da criança não estavam sendo monitorados. A alegação é de que o equipamento havia sido danificado pelo menino, e os profissionais decidiram não substituir o aparelho para evitar novo dano. Nesse período, André estava amarrado e sedado.
Além disso, a família afirma que o hospital se recusou a entregar o prontuário médico e que a assistente social se negou a conversar com eles.
Resposta do Hospital Eliane Martins
O HMEM informou que segue o protocolo de liberação de prontuários médicos e que uma cópia autenticada pode ser solicitada pelos responsáveis. O hospital declarou que o atendimento ao menino ocorreu às 20h07 do dia 22 de março, sendo que às 20h58 foi discutida a transferência do paciente para a UTI pediátrica, efetivada às 21h22. Segundo a instituição, ele esteve o tempo todo no box de emergência pediátrico, sob cuidados adequados prestados por equipe multidisciplinar.
Nota do HMEM na íntegra:

O HMEM segue o fluxo estabelecido para a liberação de prontuários, documento pertencente ao paciente e que pode ser solicitado pelos responsáveis. É fornecida uma cópia autenticada à família.

No caso de escorpionismo ocorrido em Inhapim-MG, o primeiro atendimento foi realizado no local. No HMEM, o atendimento ocorreu em 22/03/2025, às 20h07. Às 20h58, a médica da internação pediátrica discutiu o caso com a equipe da UTI pediátrica após a avaliação dos exames de imagem e decidiu pela transferência para terapia intensiva, que ocorreu às 21h22. Vale destacar que a criança estava no box de emergência pediátrico, recebendo o atendimento adequado.

A assistência foi prestada integralmente, de acordo com protocolos e diretrizes clínicas, pela equipe multidisciplinar.

Providências legais
A família de André registrou boletim de ocorrência e, acompanhada do advogado Fernando Ângelo, procurou a delegacia para solicitar a abertura de inquérito contra os dois hospitais. 
Nota da Secretaria Estadual de Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Coronel Fabriciano, informa que segue o protocolo do Ministério da Saúde: na maioria dos casos, em que há somente quadro local, o tratamento é sintomático e consiste no alívio da dor por infiltração de anestésico sem vasoconstritor, como lidocaína 2%, ou analgésico sistêmico, como dipirona 10 mg/kg. 
O tratamento específico consiste na administração do soro antiescorpiônico (SAEsc) ou do soro antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria e Tityus) (SAAr) aos pacientes clinicamente classificados como moderados ou graves (Quadro 3). O número de ampolas de soro antiescorpiônico que deve ser usado em gravidade moderada é de 2 a 3, já em casos graves é de 4 a 6. 
No escorpionismo, o tempo entre o acidente e o início de manifestações sistêmicas graves é relativamente mais curto do que nos acidentes ofídicos. Desse modo, em especial quanto às crianças, o diagnóstico e o tratamento oportunos são cruciais na reversão do quadro de envenenamento.

Imagem Foto: Arquivo pessoal


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