Dia Mundial do Autismo destaca diagnóstico precoce e cuidado humanizado no acompanhamento do TEA

Especialista do Hospital Márcio Cunha reforça atuação multidisciplinar, inclusão e intervenção nos primeiros anos para potencializar o desenvolvimento

01/04/2026 às 17:26 por Redação Plox

Celebrado nesta quinta-feira (2), o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento especializado e da inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data também chama a atenção para a necessidade de uma abordagem mais empática com crianças e famílias que vivem essa realidade, destacando como o cuidado humanizado e multidisciplinar pode favorecer desenvolvimento e autonomia.

Release - Cuidado especializado e humanizado transforma a vida de crianças com autismo

Foto: Divulgação

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por desafios na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos ou interesses restritos. Embora o tema esteja mais presente no debate público, especialistas apontam que ainda persistem mitos e generalizações, já que cada pessoa com TEA apresenta características próprias.

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Individualidade e cuidado humanizado como base do tratamento

Para o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha, Arthur Lobato, entender a individualidade de cada criança é um dos pilares do cuidado.

O cuidado humanizado é muito importante no desenvolvimento e na autonomia da criança, porque cada ser humano responde de uma forma. Um conceito pode funcionar para um e não funcionar para outro. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado. Ainda mais quando falamos de uma criança com autismo. Não existe um autista igual ao outro, cada um tem suas características, seus interesses e suas formas de se expressar

Arthur Lobato

Segundo ele, essa atenção não se limita aos profissionais de saúde: envolve também a família, a escola e o convívio social. A integração entre esses ambientes é apontada como essencial para fortalecer a inclusão e dar mais suporte à criança no dia a dia.

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Diagnóstico precoce amplia oportunidades de desenvolvimento

Outro ponto considerado decisivo é o diagnóstico precoce. Nos primeiros anos de vida, o cérebro passa por um período intenso de desenvolvimento, o que torna essa fase estratégica para estimular habilidades e favorecer a aprendizagem. Quanto mais cedo a criança é estimulada, maior tende a ser sua capacidade de aprendizado e desenvolvimento.

Abordagem multidisciplinar e apoio da tecnologia

Na prática, o cuidado costuma reunir profissionais de diferentes áreas. Fonoaudiólogos atuam no desenvolvimento da comunicação e da linguagem; psicólogos apoiam o manejo de emoções e frustrações; terapeutas ocupacionais trabalham habilidades do cotidiano e coordenação motora; e a psicomotricidade contribui para o desenvolvimento motor e da escrita. O acompanhamento psiquiátrico também pode integrar o processo, com avaliação sobre a necessidade de medicamentos.

Além das terapias, a tecnologia tem ganhado espaço como aliada, sobretudo na comunicação e no acesso a tratamentos. Entre os recursos citados estão aplicativos em tablets que permitem à criança expressar necessidades mesmo sem fala, além da possibilidade de consultas online, ampliando o acesso ao atendimento especializado.

O impacto do diagnóstico na família e as conquistas no cotidiano

Para muitas famílias, o diagnóstico marca o início de uma trajetória de adaptação, aprendizado e superação. A auxiliar administrativa Ariadnei Patricia Teixeira, mãe da estudante Luiza Vitória, de 12 anos, lembra que a confirmação do autismo da filha — diagnosticada aos oito anos, após anos de acompanhamento médico — trouxe sentimentos variados e exigiu mudanças na rotina.

Segundo Ariadnei, os primeiros desafios incluíram desde a aceitação até a busca por tratamentos e terapias, além de lidar com olhares e julgamentos. A adaptação escolar, relata, esteve entre os pontos mais difíceis, exigindo diálogo constante com coordenação e professores para evitar prejuízos para a filha.

Com o acompanhamento especializado, a família passou a perceber avanços importantes. Ariadnei destaca o papel de psicóloga, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, que, segundo ela, ajudam a orientar e a lidar com situações do dia a dia.

Hoje, no 8º ano, Luiza reúne conquistas que emocionam a família. Gestos e avanços que podem parecer simples para outras pessoas ganham um significado especial, como um abraço, um elogio da escola, uma boa nota, a participação nas atividades e as amizades construídas.

Para outras famílias que estão começando essa caminhada, Ariadnei resume a orientação em três verbos: aceitar, amar e lutar. Ela também reforça que o autismo não deve ser romantizado e precisa ser tratado com seriedade e respeito.

Informação, acolhimento e acesso ainda são desafios

Apesar dos avanços em diagnóstico e tratamento, especialistas e familiares apontam que ainda há um longo caminho para ampliar a compreensão social sobre o autismo. Informação, acolhimento e acesso ao acompanhamento especializado seguem como fatores essenciais para que cada criança com TEA desenvolva seu potencial com dignidade e inclusão.

Hospital Márcio Cunha

O Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outras.

No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

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