Oito governadores em fim de mandato decidem ficar no cargo e não disputar eleições
Levantamento até 4 de abril mostra renúncias, reeleições e desistências em meio a crises políticas, rompimentos e projetos eleitorais frustrados
01/04/2026 às 10:22por Redação Plox
01/04/2026 às 10:22
— por Redação Plox
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Ao menos oito governadores em fim de segundo mandato decidiram permanecer no cargo até o encerramento do período e não vão disputar as eleições deste ano. O movimento ocorre em um cenário que reúne projetos frustrados de candidatura à Presidência, rompimentos com vices e turbulências políticas em alguns estados.
Até o próximo sábado (04/4), a legislação eleitoral estabelece o prazo para desincompatibilização. Segundo o levantamento, dez gestores estaduais renunciam até essa data, enquanto nove governadores seguem no cargo para tentar a reeleição.
Maior número de governadores fora da disputa nas últimas eleições
O número de governadores que não participa do pleito é o maior das últimas eleições. Em 2022, cinco dos 27 gestores estaduais ficaram fora das urnas. Em 2018, foram quatro.
Governador do Paraná, Ratinho Júnior
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Ratinho desistiu por vontade própria. Já Eduardo Leite foi preterido pelo PSD e, fora da corrida presidencial, decidiu não concorrer ao Senado. Ele vai apoiar o vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao governo.
Rompimentos com vices influenciam decisões em cinco estados
Em cinco estados, os governadores romperam com seus vices e decidiram não se candidatar para não entregar o cargo a um potencial adversário. Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) fica no posto, mas o cenário é descrito como de consenso: ele vai apoiar a volta do antecessor Renan Filho (MDB).
No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) optou por ficar no cargo após romper com o vice Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual. A dupla renúncia resultaria em eleição indireta para um mandato-tampão, com cenário incerto na Assembleia Legislativa.
Fátima era uma das principais apostas do PT para ampliar a bancada no Senado, mas adiou os planos para garantir um palanque forte para Lula e tentar emplacar como sucessor o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT).
No Maranhão, o governador Carlos Brandão (sem partido) e o vice Felipe Camarão (PT) protagonizam disputa no campo político e judicial. Ambos enfrentam pedidos de afastamento do cargo e se mantêm atentos até a data-limite da desincompatibilização.
A tendência é que os dois estejam em palanques opostos: Brandão escolheu para a sucessão o sobrinho Orleans Brandão (MDB), enquanto Camarão pode concorrer ao governo ou apoiar Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luís.
Também ficam no cargo Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), todos em fim de mandato e com rusgas com seus vices.
Renúncias começam por Minas e avançam com Goiás
Entre os governadores que renunciaram, o mineiro Romeu Zema (Novo) abriu a fila e passou o cargo na última semana ao vice e pré-candidato à reeleição Mateus Simões (PSD). Zema tenta se viabilizar como candidato à Presidência, mas também é cortejado para compor chapa como vice.*
Em Goiás, Ronaldo Caiado foi confirmado na segunda-feira (30/3) como candidato à Presidência pelo PSD, com discurso alinhado à direita e foco no eleitorado conservador, na mesma raia do senador Flávio Bolsonaro (PL). Caiado formalizou a saída do governo nesta terça-feira (31), passando a faixa ao vice e pré-candidato à sucessão Daniel Vilela (MDB).
Disputa pelo Senado reúne aliados de Lula e nomes ligados a Flávio Bolsonaro
Outros oito governadores vão concorrer ao Senado, movimento descrito como o caminho mais comum para gestores estaduais em fim de mandato.
Entre eles estão Helder Barbalho (MDB-PA) e João Azevêdo (PSB-PB), aliados do presidente Lula, além de Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Gladson Cameli (PP-AC), que devem reforçar o palanque de Flávio Bolsonaro (PL).
Cláudio Castro (PL) renunciou ao governo do Rio de Janeiro em 23 de março para concorrer ao Senado, mas enfrenta pendências judiciais. Ele foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder econômico e político, em decisão que o deixou inelegível.
Nove governadores tentam renovar mandato em outubro
Nove governadores vão disputar a reeleição em outubro. Entre eles está Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, que chegou a ser cotado como presidenciável, mas vai apoiar Flávio Bolsonaro. Ele deve repetir a disputa de 2022 contra Fernando Haddad (PT).
Três governadores do PT vão concorrer a um novo mandato, mas apenas Rafael Fonteles (PT), do Piauí, é citado com cenário mais confortável, caminhando para uma reeleição tranquila.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) vai reeditar o embate com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), em meio a turbulências dentro da base aliada.
No Ceará, Elmano de Freitas (PT) enfrenta um quadro mais complexo. Pesquisa Datafolha apontou Ciro Gomes (PSDB) na liderança, com 47% das intenções de voto, contra 32% do petista.
Além disso, Elmano permanecerá até as convenções sob a influência do ex-governador Camilo Santana (PT), que deixou o Ministério da Educação para permanecer elegível e pode substituí-lo na corrida.