Petrobras estuda tornar Brasil autossuficiente em diesel em até cinco anos
Magda Chambriard afirma que estatal reavalia meta de abastecimento e planeja ampliar refinarias, enquanto alta global do combustível pressiona preços no país
01/04/2026 às 14:31por Redação Plox
01/04/2026 às 14:31
— por Redação Plox
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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a estatal estuda a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em até cinco anos. O tema ganha relevância em meio à recente alta global do combustível, associada à guerra no Irã.
Atualmente, o país precisa importar cerca de 30% do diesel consumido internamente. O derivado de petróleo é usado principalmente por caminhões, ônibus e tratores, o que amplia seu impacto sobre a logística e a economia.
Presidente da Petrobrás Magda Chambriard afirmou nesta quarta-feira que quer tornar o Brasil autossufiente em pétroleo nos próximos cinco anos.
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Plano pode sair de 80% para 100% da demanda
Segundo Chambriard, o plano de negócios da companhia tinha como meta considerada “ideal” chegar a 80% da demanda nacional, com expansão de cerca de 300 mil barris por dia em cinco anos. A presidente disse que a Petrobras reavalia agora se é possível alcançar 100% no mesmo período.
Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos
Magda Chambriard
De acordo com ela, o plano de negócios começará a ser discutido em maio. A divulgação, segundo a presidente, costuma ocorrer em novembro.
Expansão em refinarias entra no centro da estratégia
Magda Chambriard afirmou que a ampliação da produção de diesel pode ser viabilizada por medidas já em andamento em diversas unidades. Uma das frentes é a expansão da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca, na região metropolitana do Recife.
Segundo a presidente, a refinaria foi projetada para entregar 230 mil barris por dia, mas, com ampliações e renovações, deve chegar a 300 mil barris diários.
Outra ação envolve a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. Associada ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), a capacidade atual de 240 mil barris por dia pode ser elevada para cerca de 350 mil.
A presidente também informou que a busca por mais produção ocorre em todas as refinarias da Petrobras. Ela citou as quatro unidades localizadas em São Paulo, onde estão em curso adaptações para reduzir a produção de óleo combustível e priorizar a entrega de diesel.
Alta do diesel e medidas para conter preços
Do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, até a semana encerrada em 22 de março (dado mais recente), o preço do diesel S10 subiu cerca de 23% no país, de acordo com o painel de acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No último dia 14, a Petrobras aplicou um reajuste de R$ 0,38. Para frear a alta, o governo adotou medidas como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins e uma subvenção para produtores e importadores do combustível.
Também há negociações para que, junto dos estados, o Poder Público aplique um subsídio de R$ 1,20 por litro.
QAV tem reajuste de 55%
Nesta quarta-feira, outro combustível comercializado pela Petrobras, o querosene de aviação (QAV), sofreu reajuste de 55%. O QAV responde por cerca de 30% do custo das companhias aéreas.
Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo no mercado global
O conflito no Oriente Médio ocorre em uma região que concentra países produtores e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial. Segundo o texto, isso tem causado distorções na cadeia de petróleo e impulsionado os preços globais.
Nesta quarta-feira, o barril tipo Brent era negociado pouco acima de US$ 101 (cerca de R$ 520). Antes da guerra, o petróleo era cotado perto de US$ 70.