Bolsonaro é internado em Brasília para cirurgia no ombro com autorização de Moraes
Ex-presidente, em prisão domiciliar temporária por razões de saúde, passará por procedimento para reparar o manguito rotador no ombro direito
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou por volta das 9h desta sexta-feira (1º/5) que o ex-presidente Jair Bolsonaro já foi encaminhado ao centro cirúrgico para uma operação no ombro direito, em um hospital particular de Brasília. De acordo com ela, a preparação deve durar cerca de duas horas e a cirurgia, aproximadamente três horas.
Nas redes sociais, Michelle afirmou que o procedimento inclui a colocação de um cateter para a administração de medicação antes da intervenção principal.
Michelle é a única autorizada a visitar Bolsonaro; demais visitas, inclusive de advogados, estão suspensas
Foto: Reprodução: X
Seguimos em oração, crendo que tudo já deu certo Michelle Bolsonaro
Ela também disse que, enquanto estiver no leito, não poderá usar o celular, mas que continuará atualizando o público conforme receber informações.
Bolsonaro passará por uma cirurgia de reparação do manguito rotador, estrutura formada por tendões que estabilizam e permitem a movimentação do ombro. O procedimento consiste na fixação dos tendões lesionados ao osso e no tratamento de possíveis lesões associadas.
O objetivo da intervenção é reduzir a dor, recuperar a mobilidade do braço e restabelecer a função da articulação.
A cirurgia foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou na condenação do ex-presidente. Na decisão, o magistrado impôs uma série de restrições durante o período de internação.
Bolsonaro está proibido de receber visitas, inclusive de advogados e familiares, e Michelle é a única autorizada a acompanhá-lo no hospital. O ex-presidente também permanece sob vigilância contínua da Polícia Militar do Distrito Federal, com controle de acesso à unidade de saúde.
Moraes determinou ainda que as regras da prisão domiciliar seguem em vigor durante a internação, incluindo restrições de comunicação. A defesa deverá apresentar, em até 48 horas após o procedimento, um relatório médico detalhado com informações sobre a cirurgia e o estado de saúde do ex-presidente. O descumprimento das condições pode levar à reavaliação do benefício.
O procedimento foi indicado após Bolsonaro relatar dores persistentes e limitação de movimentos no ombro direito, mesmo após sessões de fisioterapia. Em relatório enviado ao STF, o ortopedista Alexandre Firmino classificou a lesão como “traumática” e recomendou a cirurgia para reparação do manguito rotador e de estruturas associadas.
Bolsonaro foi condenado, em setembro do ano passado, a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes contra a democracia. Preso em novembro, ele passou por uma série de internações durante o período de custódia devido a complicações de saúde — incluindo um quadro de pneumonia grave em março, que exigiu mais de uma semana de hospitalização.
Diante do quadro do ex-presidente, de 71 anos, Moraes concedeu prisão domiciliar temporária por 90 dias, válida até junho, com monitoramento constante e envio periódico de relatórios médicos. A autorização para a cirurgia, segundo o ministro, busca garantir o tratamento adequado sem afastar as exigências da execução penal.