Jorge Messias cogita deixar a AGU após ter nome rejeitado pelo Senado para vaga no STF

Ministro disse a aliados que pretende sair da Esplanada e sinalizou a possibilidade a Lula, que pediu para evitar decisões precipitadas

01/05/2026 às 21:11 por Redação Plox

O ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, admitiu a aliados que cogita deixar o cargo após a rejeição de seu nome para o STF (Supremo Tribunal Federal). No fim da noite de quarta-feira (29), ainda sob o impacto da derrota no plenário do Senado, ele manifestou, em mensagens, a intenção de sair da Esplanada.

Abalado com o resultado, Messias também sinalizou essa possibilidade ao presidente Lula (PT) durante reunião no Palácio do Alvorada. Segundo relatos, Lula insistiu para que ele permanecesse na gestão e sugeriu que não tomasse nenhuma decisão precipitada.

Setores do Planalto consideram insustentável a permanência de Messias na AGU

Setores do Planalto consideram insustentável a permanência de Messias na AGU

Foto: crédito: Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


Pressão nos bastidores e discussão sobre novo destino

Entre colaboradores de Lula, cresce a torcida para que Messias assuma o Ministério da Justiça. A leitura é de que a mudança seria uma demonstração de reconhecimento ao trabalho à frente da AGU e uma forma de responder à articulação que levou à rejeição no Senado.

Em conversas, Messias afirmou que um sonho foi destruído por senadores. Ele disse ainda que, embora não tenha pedido para ser indicado, apresentou seu nome de maneira respeitosa e relatou ter enfrentado uma campanha difamatória por cinco meses, apesar dessa conduta.

O ministro também se ressente, segundo o relato, de uma falta de apoio de integrantes do PT — alguns deles defensores de outros nomes para o tribunal.

Aliados apontam obstáculos para permanência na AGU

Interlocutores de Messias sugeriram que ele reflita com calma sobre o próprio futuro. Ao mesmo tempo, reconhecem que um dos obstáculos para sua permanência na AGU seria a necessidade de negociar com autoridades que articularam sua derrota.

Na avaliação de aliados de Messias, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino estão entre os opositores de sua nomeação, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Votação no Senado e acusação de articulação contra o indicado

Alcolumbre queria que Pacheco tivesse sido indicado, afastou-se do governo depois de Lula optar por Messias e passou a atuar contra o nome escolhido pelo presidente, segundo o relato. Durante a busca por votos, Messias disse em conversas reservadas com senadores que não poderia ser penalizado por um desentendimento entre Lula e Alcolumbre.

Senadores relataram ter recebido pedidos diretos do presidente do Senado para votarem contra a indicação do advogado-geral da União. Na noite de quarta-feira, após a abertura do painel mostrar o resultado, Messias disse a aliados que entrará para a história como o único rejeitado para o cargo em mais de cem anos.

O indicado de Lula precisava de ao menos 41 votos favoráveis, mas obteve 34. Foi a primeira vez que o Legislativo barrou um indicado do presidente da República para a Suprema Corte desde 1894.

Governo calcula traições e MDB contesta versão

Logo depois da derrota, o governo Lula começou a mapear as traições que, na avaliação de aliados, culminaram na rejeição. A estimativa do entorno do presidente era de que haveria cerca de 45 votos favoráveis.

A quinta-feira (30) foi marcada por mal-estar entre aliados e por um clima generalizado de desconfiança. Na véspera, durante reunião na residência oficial da Presidência logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram votos contrários no MDB e no PSD, em um conluio atribuído a Alcolumbre.

No dia seguinte, porém, dirigentes do MDB fizeram chegar à Presidência que o partido apoiou a escolha de Messias e que a única dissidência foi a da senadora Ivete da Silveira (SC), suplente do governador Jorginho Mello (PL).

Impasse sobre nova indicação ao Supremo

Lula pode indicar um novo nome para o STF, que também precisará ser deliberado pelo Senado. Alcolumbre, porém, prometeu à oposição que a indicação caberá a quem vencer a eleição presidencial e que não colocará em votação outro nome indicado por Lula antes da eleição.

O presidente aparece empatado nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo o texto.

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