Quatro mortos em perseguição de 27 km no Rio: especialistas criticam falta de bloqueio policial

Fugitivos percorrem longas distâncias sem intervenção efetiva da polícia

Por Plox

01/06/2024 12h10 - Atualizado há cerca de 2 meses

Uma perseguição policial de 27 km que terminou com quatro mortos no Rio de Janeiro levantou críticas de especialistas em segurança pela falta de cerco e bloqueio aos fugitivos. A tentativa de parada, que se iniciou na Linha Vermelha e se estendeu até o Jardim Botânico, não contou com reforço policial para impedir a passagem dos criminosos, mesmo em vias expressas com poucas entradas e saídas.

Foto: Reprodução/TV Globo

Perseguição e acidente fatal

A fuga começou em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e se estendeu até a saída do Túnel Rebouças para a Rua Jardim Botânico, na Zona Sul. Durante a perseguição, os veículos passaram por várias áreas monitoradas, sem que houvesse bloqueios eficazes. O acidente fatal ocorreu em uma descida estreita e de curva fechada, onde os carros capotaram. No acidente, morreram os soldados do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) Bruno Paulo da Silva e Bruno William Batista de Souza, ambos de 30 anos, e os fugitivos Thiago Henrique Medeiro Figueiredo e Diego Ferreira Amaral, investigados por homicídio e tráfico de drogas.

Críticas à falta de bloqueio

Especialistas em segurança pública apontam falhas graves na operação. Antônio Rayol, delegado federal aposentado, afirmou: "Quando uma pessoa fura uma blitz, a polícia não pode atirar. Fugir não é reagir, ele pode tentar não ser preso. (...) Cabe à polícia estabelecer mecanismos que impeçam a fuga." Rayol destacou a necessidade de bloqueios para evitar perseguições perigosas.

José Ricardo Bandeira, presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina (Inscrim), criticou a ausência de protocolos claros: "Infelizmente, não existem protocolos na segurança do Rio. O que existem são treinamentos que não são seguidos na prática pelos agentes." Segundo Bandeira, a falta de uma cartilha específica leva a erros frequentes.

 

Foto: Reprodução/TV Globo

Procedimentos internos e investigações

A Polícia Militar informou que um procedimento apuratório interno foi instaurado para analisar todas as circunstâncias da perseguição. A corporação declarou que, em casos de fuga, os policiais devem comunicar à sala de operações da unidade da área e iniciar uma ação de cerco, recebendo apoio de outras equipes. A 15ª DP (Gávea) também abriu um inquérito para apurar o caso.

Possíveis falhas na comunicação

Oficiais da Polícia Militar, que preferiram não se identificar, ressaltaram a necessidade de apurar se os PMs informaram ao supervisor do BPVE e ao chefe do Centro de Controle Operacional da PM que estavam em perseguição e precisavam de apoio. "Se a perseguição foi anunciada, o supervisor do batalhão e o chefe do Maré Zero precisam explicar por que não enviaram apoio", afirmou um oficial.

A Polícia Militar destacou que o disparo de arma de fogo é o último recurso a ser utilizado pelo policial militar, diante de perigo extremo contra sua vida e/ou de outras pessoas.

Conclusão

A perseguição que resultou na morte de quatro pessoas no Rio de Janeiro expôs falhas graves na estratégia de cerco e bloqueio da polícia, além de destacar a necessidade de protocolos claros e eficazes para abordagens de veículos em fuga. A PM e outras autoridades competentes agora investigam o ocorrido para evitar que situações semelhantes se repitam.

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