Após retorno ao Brasil, ex-diretora da Americanas se entrega à Polícia Federal

Ministério Público Federal acusa Anna Saicali de ser uma das principais responsáveis por fraudes contábeis na varejista

Por Plox

01/07/2024 09h42 - Atualizado há 19 dias

Anna Saicali, ex-diretora da Lojas Americanas, desembarcou em São Paulo nesta segunda-feira (1º) e se apresentou à Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ela estava em Portugal desde 15 de junho e retornou ao Brasil após o mandado de prisão contra ela ser revogado pelo juiz Marcio Muniz da Silva Carvalho, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, sob a condição de que entregasse seu passaporte às autoridades assim que chegasse.

Saicali, acompanhada por seus advogados, desembarcou antes dos demais passageiros e foi escoltada por agentes da polícia. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ela é apontada como uma das principais responsáveis pelos números falsos da Americanas, com "pleno conhecimento" das fraudes contábeis na companhia.

A ex-executiva foi diretora-presidente da B2W, braço digital da varejista resultante da fusão entre Americanas.com e Submarino, de 2013 a 2018, e ocupou uma cadeira no conselho de administração da empresa de 2018 a 2021. No momento em que as suspeitas de fraude surgiram pela primeira vez, em janeiro do ano passado, Anna era CEO da AME, a plataforma de inovação e fintech da Americanas, posição que ocupou de junho de 2021 a fevereiro de 2023.

A fraude na Americanas foi revelada no início de 2023, quando a empresa informou ao mercado inconsistências contábeis bilionárias, levando à entrada em um processo de recuperação judicial. Estudos internos apontaram que as inconsistências eram, na verdade, fraudes contábeis cometidas por ex-funcionários da rede varejista.

A investigação da Polícia Federal mostrou que as práticas irregulares visavam alcançar metas financeiras internas e aumentar bonificações, além de manipular o valor de mercado das ações da companhia. Segundo a investigação, o ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez, vendeu R$ 158 milhões em ações após saber que seria substituído e que as irregularidades seriam descobertas. No total, 11 ex-executivos venderam mais de R$ 250 milhões em ações após o aviso de troca de comando.

No último sábado (29), Miguel Gutierrez foi liberado pelas autoridades espanholas, após ter sido preso em Madri. Ele entregou o passaporte e deverá se apresentar às autoridades a cada 15 dias.

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