Discursos pró-armas no Congresso triplicam e atingem pico em 2023

Estudo do Instituto Fogo Cruzado revela aumento significativo nas falas favoráveis ao armamento desde 2015

Por Plox

01/07/2024 06h46 - Atualizado há 20 dias

Uma pesquisa do Instituto Fogo Cruzado revelou um aumento significativo nos discursos pró-armas no Congresso Nacional na última década, culminando em um volume três vezes maior de falas favoráveis ao armamento em 2023, comparado aos discursos contrários.

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Análise histórica e crescimento pós-2015
A análise abrange discursos na Câmara dos Deputados e no Senado entre 1951 e 2023, totalizando 1.977 discursos (1.790 na Câmara e 187 no Senado). Segundo o estudo intitulado “O que o Congresso Nacional fala sobre o armamento civil?”, houve um aumento notável nas falas pró-armas a partir de 2015, ano seguinte às manifestações populares de 2013 e após a renovação política significativa nas eleições de 2014.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

"Na eleição de 2014 ocorreu um processo mais intenso de renovação das elites políticas, com a ascensão de diversos novos deputados e senadores. [...] É nessa legislatura que observamos uma mudança: pela primeira vez foram contabilizados mais discursos favoráveis à ampliação do acesso às armas do que pelo seu controle", destaca o estudo.

Estatísticas de discursos entre 2015 e 2023
Entre 2015 e 2023, foram realizados 272 discursos sobre armamento na Câmara e no Senado, com 198 favoráveis ao armamento (73%), 65 favoráveis ao controle de armas (24%) e nove neutros (3%). Este período marcou a primeira vez em que discursos pró-armas superaram os contrários.

Impacto das políticas governamentais
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma de suas primeiras ações governamentais, modificou regras para facilitar o acesso da população às armas. Esta medida durou quatro anos, sendo revogada nos primeiros dias do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva em 2023. Apesar das mudanças no executivo, a proporção de discursos no Congresso permaneceu inalterada, com 75 discursos a favor das armas e 24 contrários após a revogação das regras.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Diversidade dos parlamentares que debatem o tema
Nas últimas três legislaturas, de 2015 até 2022, a maioria dos parlamentares que abordaram o tema do armamento eram homens (84,8%) e brancos (76,5%).

Reflexões dos pesquisadores
“Apesar dessa inflexão nas ações do executivo depois da derrota de Bolsonaro, houve uma institucionalização do movimento pró-armamento no Congresso Nacional. Além de dobrar a bancada, o movimento passou a se organizar, como com a criação do grupo PROARMAS, que financiou uma série de candidaturas ao Congresso”, concluiu Terine Coelho, coordenadora de pesquisa do Instituto Fogo Cruzado.

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