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A perícia da Polícia Civil apontou que o casal de idosos encontrado sem vida em um apartamento no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, sofreu 24 facadas ao todo. Maria Clotilde, de 76 anos, foi atingida sete vezes, enquanto Cláudio Atala Inácio, de 75, levou 17 golpes. Os corpos foram localizados na manhã de terça-feira (30/6) pelo filho das vítimas, e a principal suspeita é uma mulher de 30 anos que prestava serviços na residência após ter sido indicada por um parente da idosa.
Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação da suspeita no prédio onde o crime aconteceu. Ela aparece chegando ao local por volta de 7h30 e deixando o edifício cerca de oito horas depois, às 15h30. Desde então, é procurada pela polícia.

Casal de idosos morto em BH levou 24 facadas
Foto: Rede Social
Na gravação da chegada, Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, surge tocando o interfone. Ela vestia uma blusa de frio com estampa da bandeira dos Estados Unidos, além de calça, sapato branco e uma bolsa.
Já no momento em que sai do prédio, as imagens mostram a mulher com outra blusa. Além da bolsa, ela levava duas sacolas grandes.

Foto: Suspeita do latrocínio
Segundo o boletim de ocorrência, o filho do casal resolveu ir até o apartamento depois de estranhar a falta de contato com os pais desde a manhã de segunda-feira (29/6). Ele tentou telefonar, mas não obteve resposta.
No imóvel, não havia sinais de arrombamento. Ainda assim, uma gaveta usada para guardar semijoias foi encontrada violada. O filho também informou à polícia que não encontrou os celulares das vítimas — um iPhone 16 Pro Max e um iPhone 15 Pro Max — o que levantou a suspeita de que os aparelhos tenham sido levados. As duas vítimas apresentavam sinais de defesa, indicando que tentaram reagir às agressões.
A identificação de Paola como suspeita ganhou força a partir das câmeras de segurança. De acordo com o filho de Maria Clotilde, uma das sacolas carregadas por ela ao sair do prédio pertencia à idosa.
Policiais militares foram até o endereço da mulher, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, mas ela não foi localizada. Aos agentes, uma tia relatou que Paola chegou em casa na segunda-feira, por volta das 19h, com uma mochila que afirmou ter ganhado.
A mesma familiar contou ainda que, na manhã de terça-feira, a suspeita reuniu os próprios pertences e os do filho. Primeiro, disse que viajaria para o Espírito Santo; depois, que ficaria em um hotel. Segundo essa tia, Paola havia sido indicada para trabalhar na casa do casal por um primo de Maria Clotilde.
Enquanto tenta encontrá-la, a Polícia Civil também investiga se a mulher agiu sozinha. O delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri), afirmou que há elementos sugerindo a participação de outra pessoa no apoio à fuga.
Ao que tudo indica, existe a possibilidade de ter uma outra pessoa que possa ter ajudado, ou então buscado ela aqui no local, e também possa ter dado suporte na fuga
Gustavo Barletta, delegado do Depatri
O delegado informou ainda que Paola não tem antecedentes criminais conhecidos. A Polícia Civil faz levantamentos para identificar familiares ou pessoas próximas que eventualmente possam ter colaborado com a saída dela. Caso a suspeita não seja localizada, a corporação deverá pedir a prisão por latrocínio, crime caracterizado como roubo seguido de morte.
Cláudio Atala Inácio era pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas e sócio-fundador do escritório Atala Inácio Advogados Associados, sediado na rua dos Timbiras, em Belo Horizonte. Conforme informações disponíveis no portal da OAB-MG, sua atuação se concentrava principalmente nas áreas de Direito Empresarial e Direito do Trabalho.
Maria Clotilde, por sua vez, trabalhou durante anos como empresária no comércio varejista. No Jusbrasil, ela aparece como ex-sócia de uma empresa de presentes e artigos de decoração que também funcionava no bairro São Pedro.
O velório de Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio ocorre na tarde desta quarta-feira (1º), no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte.