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O governo federal anunciou o Plano Safra 2026/2027 com R$ 610,3 bilhões em crédito rural. Desse total, R$ 525,1 bilhões são destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A parcela voltada a médios e grandes produtores foi apresentada na terça-feira (30), no Palácio do Planalto, pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
Presidente Lula, ontem, com apoiadores, no lançamento do Plano Safra voltado para o agricultor familiar, no Palácio do Planalto
Foto: (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Dos recursos para a agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões poderão ser usados no custeio das lavouras, manejo dos rebanhos e comercialização da produção. Outros R$ 140,2 bilhões foram reservados para investimentos em armazenagem, irrigação, máquinas, inovação e modernização das propriedades, aumento de aproximadamente 38% na comparação com o ciclo anterior. O Pronamp, voltado aos médios produtores, terá R$ 72,6 bilhões.
A taxa máxima do Pronamp foi fixada em 9% ao ano, enquanto o custeio empresarial terá juros de até 12,5%. Projetos de armazenagem com capacidade de até 12 mil toneladas poderão contratar recursos do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns com taxa de 8%. Já as linhas ambientais e de recuperação ou conversão de pastagens do RenovAgro terão juros de 8,5% ao ano.
A redução ocorre após o Banco Central diminuir a taxa Selic para 14,25% ao ano em junho. Apesar do recuo, os juros do crédito rural variam conforme a finalidade do financiamento, a origem dos recursos e o enquadramento do produtor em cada programa.
Produtores com Cadastro Ambiental Rural em situação regular poderão obter desconto de até 0,5 ponto percentual nos juros das operações de custeio. Outro abatimento de 0,5 ponto poderá ser concedido a quem adotar práticas agropecuárias sustentáveis, permitindo redução total de até um ponto percentual. Operações com recursos controlados não poderão financiar projetos que envolvam supressão de vegetação nativa.
O plano também amplia o financiamento de sistemas de energia solar, eólica, biomassa, cogeração e armazenamento de eletricidade nas propriedades. Na área de gestão de riscos, a possibilidade de renegociar operações de custeio agrícola ficará vinculada à existência de cobertura pelo Proagro ou por seguro rural.
O conjunto de políticas para a agricultura familiar soma R$ 97,3 bilhões, incluindo crédito, seguro, assistência técnica e compras públicas. Apenas para o Pronaf serão R$ 85,2 bilhões. Os juros para financiar a produção de alimentos básicos caíram de 3% para 2% ao ano, enquanto projetos agroecológicos, orgânicos e ligados à sociobiodiversidade terão taxa de 1%. Para pequenas máquinas, a taxa do Pronaf Mais Alimentos foi reduzida para 1,5% ao ano.
As contratações serão realizadas por bancos e cooperativas que operam o crédito rural, respeitando os limites, prazos, garantias e critérios de enquadramento de cada linha do Plano Safra 2026/2027.