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Metadados de um arquivo extraído do celular de Daniel Vorcaro indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), editou uma versão do contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. A informação foi revelada nesta terça-feira (1º) pelo jornal O Estado de S. Paulo. O escritório confirmou que Moraes teve acesso à minuta.
Metadados apontam que Moraes editou contrato de R$ 131 milhões entre Vorcaro e escritório da esposa.
Foto: Gustavo Moreno/STF
O documento previa o pagamento de 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos ao escritório Barci de Moraes. Com a incidência de tributos, o valor bruto previsto chegava a aproximadamente R$ 131,27 milhões. Os registros técnicos apontam que uma alteração no arquivo foi feita às 23h04 de 15 de janeiro de 2024 por um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Ainda segundo os dados divulgados, Viviane havia enviado uma minuta do contrato diretamente a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, o então banqueiro devolveu o documento com uma cláusula acrescentada e pediu que o escritório verificasse se a mudança estava adequada. Cerca de uma hora e 40 minutos depois, os metadados registraram a edição associada ao perfil com o nome do ministro.
Alteração ocorreu após Vorcaro devolver minuta
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar se existiam impedimentos legais à contratação, como processos no STF sob relatoria do ministro ou julgamentos envolvendo interesses do possível cliente. A banca declarou que não foi identificado impedimento e afirmou que Moraes “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar se existiam impedimentos legais à contratação.
Foto: Reprodução/FRAME VIDEO
O contrato previa prestação de serviços por três anos, mas foi interrompido após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado apontam pagamentos de R$ 80,2 milhões do banco ao escritório entre 2024 e 2025. A banca já afirmou ter realizado consultoria e atuação jurídica para o Master, incluindo pareceres e reuniões de trabalho.
Contrato previa prestação de serviços por três anos.
Foto: Divulgação
A revelação ocorre no mesmo momento em que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro são analisadas no âmbito das investigações envolvendo o ex-banqueiro. Reportagens divulgadas nesta terça-feira também apontam que Vorcaro teria procurado Moraes enquanto buscava evitar medidas da PF e do Ministério Público contra ele. Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que o ministro tenha atendido a esses pedidos.