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Polícia Civil conclui inquérito sobre incêndio em clínica Liberte-se, no Distrito federal e indicia cinco pessoas

Investigação sobre tragédia que deixou seis internos mortos e dez feridos no Paranoá aponta vítimas trancadas, sedadas, extintores vazios e indiciamento de administradores e monitores por homicídio doloso e outros crimes

01/12/2025 às 22:15 por Redação Plox

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito sobre o incêndio em uma unidade da clínica Liberte-se, voltada para tratamento de dependentes químicos, e indiciou cinco pessoas apontadas como responsáveis pela tragédia.

Polícia conclui investigação sobre clínica que sofreu incêndio no DF em agosto

Polícia conclui investigação sobre clínica que sofreu incêndio no DF em agosto

Foto: reprodução

No incêndio, seis internos morreram e outros dez ficaram feridos. Uma das vítimas chegou a passar semanas internada, mas não resistiu aos ferimentos. A investigação confirmou que as pessoas atendidas na unidade estavam trancadas nos alojamentos quando o fogo começou, o que dificultou a fuga.


De acordo com o delegado Bruno Cunha, da 6ª Delegacia de Polícia, os internos também estavam sedados por medicamentos, o que reduziu ainda mais as chances de escaparem das chamas.


A hipótese de curto-circuito como causa do incêndio foi descartada. A Polícia Civil trabalha com a linha de que o fogo foi acidental, mas não conseguiu determinar com precisão a origem.

Com o fim das investigações, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal, responsável por decidir se oferece ou não denúncia à Justiça contra os indiciados.

Alojamento trancado e extintores vazios

Segundo a Polícia Civil, o alojamento atingido pelo fogo estava trancado com cadeado. No local, havia três extintores de incêndio, todos vazios e posicionados do lado de fora.

Cerca de 20 internos estavam dentro da sede no momento do incêndio, enquanto outros 26 ocupavam dormitórios externos.

A clínica tinha como diretor e proprietário Douglas Costa de Oliveira Ramos. Em nota, o advogado de parte dos indiciados contestou a conclusão da investigação e afirmou que o delegado cometeu um equívoco ao avaliar a intenção dos responsáveis.

Quem foi indiciado pela Polícia Civil

De acordo com a Polícia Civil, o casal que administrava a unidade da Chácara 420, onde ocorreu o incêndio, segue preso preventivamente.

O administrador da unidade da Chácara 470 está foragido, e a polícia tenta localizá-lo. Já os dois monitores indiciados respondem em liberdade.

Os quatro administradores foram indiciados pelos crimes de homicídio doloso, tentativa de homicídio, cárcere privado, maus-tratos e exercício ilegal da profissão.


Um dos monitores responde pelos mesmos crimes. O outro foi indiciado apenas por cárcere privado, maus-tratos e exercício ilegal da profissão, porque não estava presente no dia do incêndio.

Incêndio expõe série de irregularidades

O incêndio na Chácara 420, no Paranoá, desencadeou uma série de investigações sobre a atuação das clínicas do Instituto Terapêutico Liberte-se no Distrito Federal.


A Defesa Civil realizou vistoria técnica na unidade atingida e apontou risco de colapso estrutural na chácara, determinando a interdição total do imóvel.

O caso também expôs falhas na fiscalização de órgãos do governo distrital. Inicialmente, o DF Legal informou que a unidade incendiada estava regular. Depois, porém, o órgão reconheceu que houve confusão entre os endereços das chácaras 420 e 470, que ficam a cerca de 500 metros de distância.

A validade da licença para funcionamento da clínica na chácara 470 venceu no mês passado. Dessa forma, a chácara 470 está irregular no momento, mas as licenças não estavam vencidas no ano passado, quando foi feita a fiscalização. O funcionamento na chácara 420 também não está previsto no licenciamento existente para o CNPJ da empresa localizada na 470. Dessa forma um funcionamento na 420 também seria irregular.

DF Legal

A reportagem do g1 teve acesso ao parecer de viabilidade da clínica situada no Lago Oeste, elaborado a partir de vistorias de vários órgãos. Apesar das denúncias envolvendo a instituição, o documento aponta como irregularidade apenas a ausência de licenciamento para produção de ovos no local, o que motivou o pedido de interdição.

Fiscalização falha e novas prisões

Órgãos do Governo do Distrito Federal admitiram não ter realizado fiscalizações no intervalo entre o incêndio na unidade do Paranoá e a prisão de três responsáveis pela clínica do Lago Oeste.

A Polícia Civil prendeu três pessoas ligadas à unidade do Lago Oeste e apontou indícios de irregularidades na condução das atividades, que seguem sob apuração.


No dia seguinte às prisões, os suspeitos André Luiz Medeiros da Silva, Normando Torres de Almeida Junior e Vanessa Aparecida de Castro Medeiros foram soltos em audiência de custódia. A decisão determinou que eles cumpram medidas estabelecidas pela Justiça, sob acompanhamento das autoridades competentes.

A 35ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho II, é responsável pela investigação sobre o funcionamento dessa unidade.

Mais quatro presos em unidade do Paranoá

Paralelamente, a 6ª Delegacia de Polícia, no Paranoá, prendeu mais quatro pessoas que trabalhavam na clínica que pegou fogo no fim de agosto.

Além das prisões, foram apreendidos remédios, anabolizantes, armas falsas, computadores portáteis e celulares. Os quatro detidos devem ser indiciados por crimes relacionados à atuação na unidade, de acordo com a Polícia Civil.


A mesma delegacia conduz as investigações sobre as duas unidades do Instituto Liberte-se que funcionavam na região do Paranoá.

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