Polícia

Servidor do IFPR é preso em Curitiba suspeito de apologia ao nazismo e ameaça de atentado

Técnico em contabilidade foi detido em apartamento no Centro da capital paranaense na véspera do Réveillon; instituição afasta servidor e Polícia Civil reforça combate a crimes de ódio

02/01/2026 às 07:37 por Redação Plox

O servidor público Phetronio Paulo de Medeiros, técnico em contabilidade do Instituto Federal do Paraná (IFPR) em Irati, na região central do estado, foi preso preventivamente na véspera do Réveillon, suspeito de apologia ao nazismo, ameaça de atentado e divulgação de símbolos nazistas em diversas redes sociais.


De acordo com o delegado Rafael Rybandt, responsável pela investigação, o servidor mantinha diversos perfis na internet onde publicava imagens com a cruz suástica, símbolo do regime nazista, associadas a expressões de saudação ao nazismo e a frases de ameaça, entre elas “Vem muita desgraça e morte para todos”.

Phetronio Paulo de Medeiros trabalha no IFPR. Instituição de ensino disse que ele será afastado imediatamente das funções. Em 2024, homem já havia sido condenado pelo crime de apologia ao nazismo por outras postagens.

Phetronio Paulo de Medeiros trabalha no IFPR. Instituição de ensino disse que ele será afastado imediatamente das funções. Em 2024, homem já havia sido condenado pelo crime de apologia ao nazismo por outras postagens.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Prisão em Curitiba e atuação da polícia

Phetronio foi detido no fim da tarde de quarta-feira (31), em um apartamento alugado no Centro de Curitiba, onde passaria a virada de ano. A ação contou com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), unidade especializada da Polícia Civil.


A defesa de Phetronio informou que ainda não teve acesso aos detalhes da prisão e que deve se manifestar posteriormente sobre o caso.

IFPR afasta servidor e abre processo disciplinar

Em nota, o IFPR comunicou que o técnico em contabilidade será afastado imediatamente de suas funções e que será instaurado um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do servidor, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme prevê a Constituição Federal.

Condenação anterior por apologia ao nazismo

Em 2024, Phetronio já havia sido condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul pelo crime de apologia ao nazismo. Na época, ele morava no estado, trabalhava na Universidade Federal de Pelotas e também fazia publicações de cunho nazista nas redes sociais, segundo a sentença.


O documento aponta que, pelo menos desde 2018, ele realizava postagens com a cruz suástica para divulgar o nazismo. A Justiça fixou pena de dois anos e alguns meses de reclusão em regime inicial aberto, além do pagamento de multa. A pena de prisão foi substituída por prestação de serviços à comunidade e aumento do valor da multa.


Em dezembro de 2025, o processo transitou em julgado, o que significa que não cabem mais recursos.

Recorrência de postagens em datas festivas

Segundo o delegado Rafael Rybandt, o pedido de prisão preventiva levou em conta o padrão de comportamento identificado nas investigações, que mostraram intensificação das postagens de ameaça e apologia ao nazismo em períodos próximos ao Natal e ao Réveillon.

Como nessas datas há mais aglomerações de pessoas, muitos ataques de ódio são programados para elas. [...] O fato dele ser agente público vinculado a uma instituição federal de ensino trouxe ainda mais urgência para a resposta policial ao caso. [...] A Polícia Civil do Paraná reforça o compromisso no combate a crimes de ódio e intolerância e solicita a colaboração da população. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (Polícia Civil) e 181 (Disque-Denúncia).

Rafael Rybandt, delegado responsável pela investigação

Trajetória profissional e acadêmica de Phetronio

Phetronio Paulo de Medeiros, de 40 anos, é natural do Rio Grande do Norte. De acordo com o perfil dele no site do IFPR, é graduado em Ciências Contábeis e já atuou como professor na Universidade Federal da Paraíba, onde também ocupou o cargo de técnico em contabilidade.


Em 2019, ele se mudou para o Rio Grande do Sul e passou a trabalhar na Universidade Federal de Pelotas como técnico em contabilidade, função que exerceu até 2024. Nesse ano, transferiu-se para Irati, no Paraná, para ocupar o mesmo cargo no IFPR.

Posicionamento oficial do IFPR

Na nota, o IFPR afirmou lamentar a prisão do servidor do Campus Irati e destacou que ele integra o quadro da instituição há um ano e quatro meses. O texto ressalta que condutas como as investigadas, caso confirmadas, afrontam diretamente as crenças do Instituto enquanto instituição de excelência na formação técnica e tecnológica no estado.


A instituição enfatizou que não admite nenhuma forma de discriminação e repudia ações criminosas de apologia ao nazismo, xenofobia, misoginia, homofobia, racismo ou preconceito religioso eventualmente praticadas por qualquer integrante de sua comunidade acadêmica.


Ainda conforme a nota, a reitoria reforça que toda atitude criminosa atribuída a membros do IFPR é passível de apuração imediata pela instituição. Foi informado que Phetronio será afastado das funções e que um processo administrativo disciplinar será instaurado para apurar o caso, com garantia ao direito de defesa previsto na Constituição.

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