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Às vésperas de completar 30 anos, o sistema eletrônico de votação brasileiro chega às eleições de 2026 sem nenhum registro de fraude, mas ainda enfrenta o desafio de convencer parte do eleitorado sobre sua confiabilidade. A desconfiança ganhou força a partir de 2018, em meio à forte polarização nas eleições presidenciais e à ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passou a questionar a lisura do processo eleitoral, estimulando apoiadores a repetir as mesmas dúvidas.
Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais intensificaram ações para demonstrar a segurança da votação no país e ampliar a transparência das etapas de auditoria e fiscalização. No fim de 2025, uma série de testes públicos com as urnas eletrônicas foi realizada com o objetivo de convencer quem ainda desconfia de que o processo é seguro.

Urna Eletrônica
Foto: Divulgação/TSE
Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Wellerson Amarante, o esforço é permanente para aproximar a Justiça Eleitoral da sociedade e explicar como funciona cada etapa da votação, da preparação das urnas à totalização dos votos.
De acordo com Amarante, os testes conduzidos pela Justiça Eleitoral ajudam a localizar eventuais pontos de melhoria nos sistemas e procedimentos. Nos últimos anos, porém, não foram identificados aspectos que indicassem ameaça concreta ao processo. As análises apontam apenas aperfeiçoamentos pontuais, e não riscos reais, sobretudo porque a urna não é conectada à internet em nenhum momento da votação.
Especialista em direito eleitoral, o advogado Acácio Wilde também reforça a confiança no modelo. Para ele, não há registro de alteração comprovada em resultados de eleições, e o processo conta com fiscalização intensa de candidatos, partidos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que indicam fiscais para acompanhar a votação e a apuração.
Ao abrir a edição de 2025 dos testes públicos, no início de dezembro, a ministra Cármen Lúcia enfatizou a transparência e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, destacando que a iniciativa permite participação direta da sociedade na busca por melhorias.
O TSE convidou jovens para integrar as equipes de verificação dos equipamentos, numa tentativa de aproximar o público mais jovem do processo democrático. A ministra ressaltou que o objetivo é garantir que o que o eleitor digita na urna seja corretamente registrado, totalizado e proclamado, assegurando absoluta confiabilidade na tecnologia utilizada pela Justiça Eleitoral.
Os testes de segurança passaram a ser obrigatórios em 2016, por resolução do TSE, embora sejam realizados desde 2009. Para as eleições de 2026, que definirão presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, a bateria principal de testes foi concluída em 5 de dezembro, e o relatório final foi publicado em 18 de dezembro.
Segundo o TSE, não foram identificados riscos capazes de comprometer o sistema. A conclusão das Comissões Avaliadora e Reguladora da oitava edição do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais é que os resultados obtidos pelos investigadores não têm potencial para afetar a integridade, o sigilo do voto ou o resultado das eleições.
A oitava edição do teste público também envolveu estudantes e recém-formados, que assumiram parte das investigações e executaram planos de teste apresentados ao TSE. Entre os 27 inscritos como investigadoras e investigadores, quase metade (12) tinha entre 18 e 25 anos, o que reforça a estratégia de atrair novos perfis de especialistas para avaliar a segurança das urnas.
Depois da rodada principal do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais, realizada de 1º a 5 de dezembro, a Comissão Avaliadora recomendou o retorno dos investigadores responsáveis por três testes que identificaram algum tipo de risco, ainda que mínimo, para o chamado Teste de Confirmação, previsto para ocorrer entre 13 e 15 de maio de 2026.
Nessa etapa, eles poderão verificar se os ajustes feitos pela equipe da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE foram robustos o suficiente para bloquear eventuais tentativas de exploração das vulnerabilidades identificadas. O objetivo é comprovar, na prática, a eficácia dos aprimoramentos implementados antes das eleições.
A edição mais recente dos testes registrou número recorde de interessados: foram 149 inscritos. Dos 109 planos de testes apresentados, 38 foram aprovados para execução. Na semana do evento, 19 foram executados integralmente, dez foram realizados de forma parcial, seis deixaram de ser executados por decisão do próprio investigador e cinco sofreram alterações ao longo do processo.
Entre 2008 e 2023, a Justiça Eleitoral brasileira recebeu pelo menos 500 visitantes de 50 países interessados em conhecer o modelo adotado pelo Brasil. Somente nas eleições gerais de 2022, cerca de 200 representantes de mais de 30 nações acompanharam de perto pontos centrais do processo, como a urna eletrônica, o código-fonte, o sistema de identificação de eleitoras e eleitores e as estratégias de combate à desinformação.
O TRE-MG não dispõe de um levantamento consolidado sobre as visitas internacionais no Estado, mas confirma que elas são frequentes. Um dos exemplos recentes foi a visita de um deputado norueguês ao Centro de Memória, em Contagem, na Região Metropolitana, para conhecer a evolução da urna eletrônica. Ele testou um modelo atual em ambiente de treinamento. Em outras eleições, o tribunal já recebeu observadores de países como Estados Unidos e Congo para acompanhar a votação.
O programa responsável pela votação eletrônica é desenvolvido integralmente pelo TSE, não é comercializado nem cedido a outros países. Por isso, o tribunal apresenta apenas a estrutura geral do sistema e sua evolução, permitindo que outras nações se inspirem no modelo brasileiro para criar soluções próprias. Especialistas ouvidos por O TEMPO ponderam, porém, que nem todos os países contam com recursos financeiros e infraestrutura de energia elétrica suficientes para adotar um sistema semelhante.
Segundo o advogado eleitoral Acácio Wilde, mais de 45 países já utilizam algum tipo de voto eletrônico ou urnas com sistema muito parecido com o brasileiro, entre eles nações como Japão, México e alguns estados dos Estados Unidos. Para a Justiça Eleitoral, esse interesse externo reforça a percepção de que o modelo brasileiro se consolidou como uma das principais referências mundiais em votação eletrônica.