Dólar abre fevereiro em leve alta e mercado reage a agenda econômica e política

Ibovespa acompanha indicadores no Brasil e no exterior, enquanto Focus ajusta projeção de inflação e Congresso retoma trabalhos

02/02/2026 às 09:49 por Redação Plox

O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (2) em leve alta, com avanço de 0,06%, sendo negociado a R$ 5,2505 na abertura. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, passa a ser negociado a partir das 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik

A primeira sessão de fevereiro é marcada por uma agenda densa de indicadores econômicos e eventos políticos, tanto no Brasil quanto no exterior. As atenções dos investidores se dividem entre projeções de inflação, dados da atividade industrial e a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional.

Focus ajusta projeções de inflação

No Brasil, o dia começou com a divulgação do Boletim Focus, do Banco Central. Economistas consultados pela instituição reduziram a projeção de inflação para 2026 de 4% para 3,99%, enquanto a estimativa para 2027 foi mantida em 3,80%.

Congresso retoma trabalhos e agenda de votações

No campo político, o Congresso Nacional realiza sessão solene de abertura do ano legislativo, reunindo deputados e senadores no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados.

A Câmara marcou também a primeira sessão de votações de 2026, com duas medidas provisórias na pauta: a MP 1.313/25, que cria o Programa Gás do Povo, e a MP 1.312/25, que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para o setor rural.

Indicadores nos EUA no radar dos investidores

Nos Estados Unidos, investidores acompanham a divulgação do PMI da indústria, indicador visto como termômetro da atividade econômica e que pode influenciar o humor dos mercados ao longo do dia.

Veja a seguir o desempenho recente dos principais índices.

Desempenho do dólar

Dólar:

Acumulado da semana: -0,74%
Acumulado do mês: -4,39%
Acumulado do ano: -4,39%

Desempenho do Ibovespa

Ibovespa:

Acumulado da semana: +1,40%
Acumulado do mês: +12,56%
Acumulado do ano: +12,56%

Trump indica Kevin Warsh para o Fed

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira a indicação do economista Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve (Fed), em substituição a Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. A indicação ainda precisa ser aprovada pelo Senado.

A escolha ocorre após meses de atritos entre Trump e Powell em torno da condução dos juros. Enquanto o Fed manteve as taxas em patamar elevado para conter a inflação, Trump defendia cortes mais rápidos para estimular a economia. Após a última reunião do banco central, na semana passada, em que a autoridade monetária decidiu manter os juros inalterados, o presidente voltou a criticar Powell em público, afirmando que ele mantém os juros “altos demais” e prejudica a economia americana.

Warsh é visto como um nome de perfil técnico. Ele é pesquisador visitante no Instituto Hoover, professor da Universidade Stanford e sócio da gestora Duquesne Family Office. Já integrou a diretoria do Fed entre 2006 e 2011, tornando-se o mais jovem a ocupar o cargo, aos 35 anos.

O economista é apontado como defensor de taxas de juros mais baixas, mas considerado uma opção menos radical entre os nomes avaliados por Trump. Ele defende que o banco central reduza o volume de dinheiro e ativos sob sua administração, o que tenderia a torná-lo mais cauteloso no uso de medidas agressivas para estimular a economia.

Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, a indicação foi bem recebida pelos mercados, em razão do histórico de Warsh na instituição e do seu perfil técnico.

Com isso, a percepção é que ele possa ser um presidente mais alinhado com o acompanhamento dos dados econômicos para tomada de decisão sobre os juros, reduzindo o risco institucional sobre o FedSara Paixão

Além de Warsh, Trump também considerou Kevin Hassett para o comando do Fed, mas decidiu mantê-lo na Casa Branca, avaliando que sua atuação é estratégica no governo.

Desemprego atinge menor nível da série

A taxa média de desemprego no Brasil recuou para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE. O índice caiu 1 ponto percentual em relação a 2024, quando estava em 6,6%.

A população desocupada somou 6,2 milhões de pessoas, queda de 14,5% frente a 2024, enquanto a população ocupada chegou ao recorde de 103 milhões. O nível de ocupação atingiu 59,1%, também o maior da série.

Mesmo com a Selic em 15% ao ano, o mercado de trabalho se manteve aquecido porque a expansão do emprego se concentrou em setores menos dependentes de crédito, como serviços, setor público, informação, comunicação e atividades financeiras.

O aumento da renda, apoiado pelo avanço do salário mínimo e por maior formalização, ajudou a sustentar o consumo, sobretudo de serviços e bens não duráveis.

No mercado formal, o número de empregados com carteira assinada cresceu 2,8%, alcançando 38,9 milhões de pessoas, enquanto a informalidade recuou para 38,1%. O rendimento médio real subiu 5,7%, para R$ 3.560, e a massa de rendimentos atingiu recorde de R$ 361,7 bilhões.

Economistas avaliam que o mercado de trabalho forte ajuda a sustentar a atividade econômica, mas torna mais difícil o controle da inflação, especialmente de serviços. A expectativa é de uma elevação gradual da taxa de desemprego em 2026, sem deterioração relevante do cenário.

Mercados internacionais reagem à indicação para o Fed

A indicação de Kevin Warsh para o comando do Fed também foi o principal destaque nos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street encerraram a sexta-feira em queda.

O Nasdaq Composite recuou 0,94%, o Dow Jones caiu 0,36% e o S&P 500 teve baixa de 0,42%.

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta, registrando sua maior sequência mensal de ganhos desde 2021. Os principais índices da região também avançaram, com destaque para o FTSE 100, de Londres, que subiu 0,51%, e para o DAX, da Alemanha, que avançou 0,94%.

Na Ásia, as bolsas recuaram. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu mais de 2%, enquanto Xangai encerrou o pregão em baixa próxima de 1%. O CSI300, que reúne as maiores empresas chinesas, também recuou cerca de 1%.

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