Fictor Holding pede recuperação judicial em SP e declara dívida de R$ 4 bilhões
Empresa afirma viver crise de liquidez e de credibilidade após tentativa frustrada de comprar o Banco Master e solicita suspensão de transações por 180 dias para reorganizar compromissos.
02/02/2026 às 10:53por Redação Plox
02/02/2026 às 10:53
— por Redação Plox
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A Fictor Holding Financeira entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no último domingo (1º), menos de dois meses após a tentativa frustrada de comprar o Banco Master. A companhia, que ganhou projeção nacional em novembro do ano passado ao anunciar a intenção de adquirir a instituição presidida por Daniel Vorcaro, afirma enfrentar uma crise de liquidez e de credibilidade desde então.
Fictor alega que situação financeira foi prejudicada pela repercussão do caso do Banco Master
Foto: Banco Master/Divulgação
No processo, a Fictor declara ter dívidas de R$ 4 bilhões e solicita tutela de urgência para suspender, por um período inicial de 180 dias, as transações da financeira. O objetivo é ganhar tempo para reorganizar compromissos e evitar um colapso definitivo nas operações.
Empresa atribui crise à repercussão negativa do caso Master
A Fictor sustenta que a exposição pública em torno da tentativa de compra do Banco Master provocou um colapso temporário nos fluxos operacionais. Segundo o pedido de recuperação, a repercussão do caso levou à rescisão de contratos com fornecedores de serviços e desencadeou uma postura mais cautelosa de parceiros, clientes e sócios.
Em trecho do documento encaminhado à Justiça, a empresa relata ter sido alvo de matérias e investigações jornalísticas que colocaram sua credibilidade em xeque. A Fictor afirma ainda que houve aumento relevante nos pedidos de retirada em contratos de Sociedade em Conta de Participação, pressionando ainda mais o caixa.
O mecanismo de recuperação judicial é utilizado por companhias em dificuldade financeira para evitar a falência, mediante supervisão judicial, renegociação de dívidas e suspensão temporária de cobranças enquanto é apresentado e executado um plano de reestruturação.
Negócio de R$ 3 bilhões não saiu do papel
Em novembro de 2025, a Fictor, ao lado de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, anunciou interesse em adquirir o Banco Master. O plano previa um aporte de R$ 3 bilhões para reforçar o capital da instituição de Vorcaro, em meio a questionamentos sobre a saúde financeira do banco.
A operação, porém, foi interrompida de forma abrupta. Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, alegando fragilidade e falta de liquidez nas operações. No mesmo dia, a Polícia Federal prendeu o fundador e controlador do banco, Daniel Vorcaro, no contexto de investigações sobre crimes financeiros.
Em nota enviada à reportagem, a Fictor relaciona diretamente o pedido de recuperação judicial à tentativa malsucedida de adquirir o Master e ao desgaste público decorrente da transação anunciada, mas nunca concluída.
O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Um consórcio liderado pelo sócio do Grupo Fictor fez uma oferta para a aquisição e transferência de controle do Master, mas com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding
nota enviada pela Fictor
Investigações alcançam sistema financeiro e mundo político
A Polícia Federal apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro que teria sido orquestrado pelo Banco Master em conjunto com fundos de investimento usados como laranjas para Vorcaro e seus sócios. Segundo as investigações, a instituição inflava artificialmente valores e fazia pagamentos a investidores mesmo em cenário de baixa liquidez.
Desde dezembro, o caso está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli, em razão de indícios de participação de autoridades com prerrogativa de foro privilegiado. A repercussão das denúncias extrapolou o mercado financeiro e alcançou o STF e a classe política em geral, impulsionada pela rede de relacionamentos construída por Vorcaro nos últimos anos.