Lula oficializa apoio do Brasil a Michelle Bachelet para comandar a ONU a partir de 2027
Em resposta a Gabriel Boric, presidente afirma que é hora de romper a barreira e eleger a primeira mulher secretária-geral da organização, que nunca foi liderada por uma mulher em quase oito décadas.
02/02/2026 às 14:21por Redação Plox
02/02/2026 às 14:21
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou o apoio do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a partir de 2027. O endosso foi anunciado em uma rede social, em resposta a uma mensagem do presidente chileno Gabriel Boric.
Lula e Michelle Bachelet durante encontro realizado em 2024
Foto: Presidência
Na publicação, Lula afirmou ser “uma honra” para o país apoiar o nome de Bachelet e enfatizou que, após cerca de oito décadas de existência, a ONU nunca teve uma mulher no comando e que este seria o momento de romper essa barreira.
Primeira mulher a governar o Chile, Bachelet exerceu dois mandatos presidenciais e quebrou outras barreiras no país ao assumir, antes disso, os ministérios da Defesa e da Saúde.
Trajetória de Bachelet no sistema ONU
No âmbito das Nações Unidas, Michelle Bachelet teve papel central na criação e consolidação da ONU Mulheres, na qual atuou como primeira diretora-executiva. Posteriormente, comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, posição em que se dedicou à defesa de populações vulneráveis e à promoção de direitos ligados ao meio ambiente e à democracia.
Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos
Lula
Início da disputa pela sucessão de António Guterres
O apoio brasileiro ocorre no momento em que se abre a corrida pela sucessão do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O novo chefe da organização assume em 1º de janeiro de 2027.
De acordo com as regras do processo, os países-membros já podem apresentar seus candidatos ao cargo. Caberá ao Conselho de Segurança da ONU recomendar um nome até julho de 2027, que será submetido à votação final na Assembleia Geral, composta pelos 193 Estados-membros.
Em carta conjunta, as presidências da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança incentivaram explicitamente que as indicações priorizem mulheres. O documento ressalta que nenhuma mulher jamais ocupou o posto de secretária-geral da ONU e defende maior igualdade de gênero e diversidade regional na escolha do próximo dirigente.
ONU sob pressão em cenário de crise global
A definição do novo secretário-geral se dá em um cenário considerado delicado para o sistema multilateral, em meio ao aumento de conflitos armados, à crise climática e a pressões políticas e financeiras sobre o orçamento e o alcance de atuação da ONU.
Além de Bachelet, outros nomes já circulam como possíveis candidatos. Entre eles, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, que atualmente dirige a agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, e o diplomata argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.