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Autoridades de saúde do Reino Unido emitiram, no fim de janeiro, um alerta sobre o risco de pancreatite aguda, potencialmente fatal, associado ao uso de agonistas de GLP-1 e agonistas duplos de GIP/GLP-1, classes de medicamentos usados nas chamadas canetas emagrecedoras. O comunicado ganhou relevância diante da popularidade de produtos como a semaglutida — presente em Ozempic, Rybelsus e Wegovy — e a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, entre outros.
De acordo com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), órgão britânico equivalente à Anvisa, o risco é considerado raro, mas existe. Por isso, a orientação é que médicos e usuários desses medicamentos estejam atentos a sinais de inflamação no pâncreas e a possíveis agravamentos do quadro.
O alerta do MHRA foi motivado por centenas de notificações de pancreatite associadas ao uso de agonistas de GLP-1 ou GIP/GLP-1. Dados oficiais do Reino Unido registraram 1.296 casos de pancreatite relacionados a essas medicações entre 2007 e outubro de 2025. Entre eles, 19 evoluíram para óbito e 24 foram classificados como pancreatite necrosante, uma forma grave da doença.
A pancreatite aguda já constava como possível efeito colateral nas bulas das canetas emagrecedoras. Medicamentos como Mounjaro e produtos à base de semaglutida informam risco de desenvolvimento de pancreatite na ordem de 0,1 a 1 caso a cada 100 usuários.
As autoridades britânicas, porém, reforçam a necessidade de maior vigilância diante da ocorrência de quadros graves e potencialmente fatais. Mesmo com baixa frequência, a combinação entre amplo uso populacional e um desfecho possível tão severo mantém o tema sob monitoramento constante.
Procure atenção médica urgente se você sentir dor abdominal severa e persistente, que pode irradiar para as costas e pode ser acompanhada de náusea e vômito
MHRA
Para o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, professor da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e colunista de VEJA SAÚDE, a divulgação do alerta não deve ser interpretada como motivo para pânico ou suspensão em massa dos tratamentos.
Ele pontua que estudos de mundo real publicados em 2026 indicam boa segurança dos medicamentos quando comparados a grupos que não fizeram uso dessas drogas, incluindo pesquisas que sugerem redução do risco de pancreatite em alguns cenários.
O médico enfatiza que o acompanhamento profissional é indispensável para uso adequado e seguro, inclusive para avaliar quando determinados sintomas exigem investigação mais aprofundada.
Os próprios números apresentados no alerta britânico ajudam a dimensionar o cenário: foram 19 casos fatais em quase 18 anos, em um país onde, apenas nos últimos cinco anos, mais de 25,4 milhões de doses desses medicamentos foram vendidas. O risco grave existe, mas permanece muito raro em relação ao volume de uso.
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que costuma se manifestar com dor intensa na região do abdome superior. Segundo Couri, o quadro costuma ser bastante específico.
Ele destaca que nem toda dor abdominal sugere pancreatite. Em geral, trata-se de uma dor forte, localizada na área do estômago e que pode irradiar para as costas em formato de “faixa”. Além do quadro clínico, costumam ocorrer alterações em exames laboratoriais — como enzimas pancreáticas — e em exames de imagem, a exemplo da tomografia.
Para medicamentos como semaglutida e tirzepatida, a recomendação segue a regra básica de qualquer tratamento de prescrição: não usar por conta própria. O início da terapia deve sempre partir de uma avaliação médica criteriosa, considerando o histórico do paciente, o diagnóstico (como diabetes ou obesidade) e os objetivos de saúde de longo prazo.
Em caso de qualquer sintoma inesperado durante o uso das canetas, a orientação é procurar o profissional responsável pelo tratamento para avaliar a necessidade de ajustes, exames complementares ou até suspensão da medicação.
Na prática, especialistas reforçam que o equilíbrio entre riscos e benefícios permanece favorável ao uso desses fármacos quando indicados corretamente, mas o monitoramento atento de sinais de pancreatite é parte essencial da segurança do tratamento.