Russia diz que não necessita de "mediação" do governo brasileiro
Russia diz que não necessita de "mediação" do governo brasileiro
Por Plox
02/03/2023 11h28 - Atualizado há mais de 2 anos
O vice-chanceler russo, Sergey Ryabkov, afirmou em entrevista coletiva em Genebra que "lamenta" o voto do Brasil na Assembleia Geral da ONU na semana passada, que aprovou uma resolução condenando a agressão russa à Ucrânia. Ryabkov disse que "respeita" a vontade política do governo brasileiro em buscar uma solução para a guerra, mas não vê "necessidade" de uma mediação.

O diplomata afirmou que, apesar do voto brasileiro, a relação positiva com o governo Lula continua."O voto mostra que foram feitas considerações outras que não aquelas sóbrias e uma profunda avaliação sobre o que ocorre e o que precedeu essa situação atual", afirmou. Ele lembrou que os chanceleres Mauro Vieira e Sergei Lavrov se reuniram na Índia nesta semana e que estabeleceram um diálogo para ampliar a cooperação bilateral. Para Ryabkov, a relação bilateral é "promissora".
"Essas considerações continuam. Se o Brasil fosse capaz de apreciar de forma completa a lógica intrincada desse caso trágico e desafiador, então acho que o Brasil votaria numa forma que pelo menos seria de abstenção", afirmou o russo.
Ryabkov também sinalizou que não há espaço, neste momento, para falar em uma mediação. A criação de um grupo de países emergentes para para buscar a paz é uma proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia foi levada ao presidente americano Joe Biden e o chanceler alemão Olaf Scholz.
Na conversa entre Mauro Vieira e Lavrov, nesta semana, não houve uma oferta específica por parte dos brasileiros por uma mediação. O governo ainda está ouvindo as diferentes ideias e posicionamento antes de propor algum tipo de mecanismo ou formato que poderia ser aceito por todos.
O vice-chanceler russo afirmou que não foi a Rússia que bloqueou as conversas, logo no começo da guerra, mas que houve uma tentativa de negociar. No entanto, a delegação ucraniana deixou o processo, segundo ele, por insistência dos EUA e outros. Para Ryabkov, se alguém quer falar de mediação, "tem de perguntar em Kiev se querem".