Especialistas contestam vídeo que chama água com gás de “veneno” e diz que ela eleva a pressão
Segundo médicos ouvidos pelo g1, a ingestão de água pode causar aumento transitório da pressão por reflexo de deglutição; na gaseificada, o estímulo pode ser um pouco maior, mas o pico é curto e tende a normalizar em minutos
02/03/2026 às 09:42por Redação Plox
02/03/2026 às 09:42
— por Redação Plox
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Um vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais classificou a água com gás como um “veneno”, alegando que a bebida seria capaz de elevar a pressão arterial em 10 mmHg imediatamente após o consumo e que poderia ser usada como espécie de “primeiros socorros” para quem desmaiou. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que essas informações precisam ser contextualizadas e explicadas à luz do funcionamento do organismo.
A água gaseificada mantém as propriedades de hidratação da água comum e é composta por H₂O, CO₂ e minerais como cálcio, potássio e sódio.
Foto: Freepik
Segundo os especialistas, o consumo de água com gás pode, de fato, provocar uma elevação momentânea da pressão, mas isso não significa alteração crônica ou permanente da pressão arterial. O que se observa é uma resposta fisiológica imediata e transitória, que tende a se normalizar poucos minutos depois.
Por que a pressão pode subir após beber água com gás
Qualquer ingestão de água — seja natural ou gaseificada — pode levar a um aumento transitório da pressão arterial sistólica. Esse efeito está ligado ao reflexo de deglutição, que ativa o sistema nervoso simpático. No caso da água com gás, o fenômeno pode ser um pouco mais intenso por três motivos principais:
Carbonatação: o desprendimento de CO₂ na boca e na orofaringe estimula o sistema nervoso simpático.
Estímulo sensorial: as bolhas irritam o nervo trigêmeo (um estímulo nociceptivo), o que provoca vasoconstrição periférica e aumento da pressão.
Temperatura: se a água estiver bem gelada, em torno de 4 °C, o efeito é ainda maior — tanto para a água natural quanto para a água com gás.
Os médicos destacam, porém, que esse aumento é de curta duração. A pressão tende a voltar ao patamar habitual em poucos minutos, sem se manter elevada ao longo do dia.
Impacto cardiovascular e limites dos estudos
De acordo com os especialistas, os estudos que avaliam essa resposta pressórica após o consumo de água com gás envolvem um número pequeno de participantes. Ainda assim, os dados apontam que o retorno aos níveis normais ocorre rapidamente.
Nesse cenário, a avaliação é de que, do ponto de vista cardiovascular, esse pico transitório não altera o desfecho clínico: não haveria aumento significativo do risco de vida nem maior chance de complicações cardiovasculares associadas apenas à ingestão de água gaseificada.
A água com gás mantém as mesmas propriedades de hidratação da água comum. É composta basicamente por H₂O, CO₂ e minerais como cálcio, potássio e sódio.
Hipertensos precisam evitar a água com gás?
Até o momento, não há evidências robustas que sustentem a proibição do consumo de água com gás por pessoas hipertensas. O que se observa é uma resposta fisiológica imediata de elevação da pressão, sem alteração crônica ou permanente.
A recomendação citada pelos especialistas é de cautela em indivíduos com hipertensão, uma vez que picos súbitos durante a ingestão poderiam, em teoria, aumentar o risco de eventos cardiovasculares. Nesses casos, a orientação é individualizar o consumo, considerando o quadro clínico e o acompanhamento médico.
Pressão varia ao longo do dia
A pressão arterial não é fixa: oscila ao longo do dia e da noite, em resposta a diferentes situações, como estresse ou prática de atividade física. Um aumento de cerca de 10 mmHg é algo que pode ocorrer nessas circunstâncias e faz parte das respostas naturais do organismo a estímulos diversos.
Por isso, o que importa para a avaliação médica é o comportamento da pressão na média geral e sua tendência no dia a dia. A recomendação é medir a pressão com o paciente em repouso, relaxado e antes das refeições, para evitar interferências e não confundir a interpretação dos valores.
O que é “água morta”?
O vídeo que circula nas redes sociais também menciona o termo “água morta”. Segundo o especialista ouvido, essa expressão não é utilizada pela medicina como conceito técnico. Pode eventualmente ser empregada por algum profissional de saúde como julgamento pessoal sobre algo que ele considere inadequado, mas não se trata de uma nomenclatura científica reconhecida.
A água gaseificada, por sua vez, continua sendo água: hidrata o organismo e contém, além de H₂O e CO₂, minerais como cálcio, potássio e sódio, sem evidências de que seja, por si só, um “veneno” ou uma “água morta”.