Moraes nega novo pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro e cita descumprimento de cautelares

Ministro do STF afirma que não há requisitos humanitários, aponta tentativa de fuga e diz que perícia concluiu adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do ex-presidente

02/03/2026 às 15:20 por Redação Plox

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou um novo pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na decisão desta segunda-feira (02), Moraes destacou tentativa de fuga, rompimento de monitoramento eletrônico e laudo médico oficial que atesta condições adequadas de saúde no ambiente prisional. Veja os detalhes sobre a decisão na Live.


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Moraes cita descumprimento de medidas cautelares

Desse modo, não se verifica a presença dos requisitos excepcionais para a concessão de prisão domiciliar humanitária, em face dos reiterados descumprimentos das medidas cautelares durante toda a ação penal

Alexandre de Moraes

Na decisão, Moraes destacou que houve atos concretos de tentativa de fuga, incluindo o rompimento da tornozeleira eletrônica, e mencionou o resultado da perícia médica oficial, que apontou a total adequação do ambiente prisional às necessidades médicas do ex-presidente.

Segundo o ministro, o exame pericial indicou que o local de custódia oferece condições consideradas plenamente satisfatórias para o cumprimento da pena, com respeito à saúde e à dignidade da pessoa humana.

Perícia da PF e estrutura na unidade prisional

A decisão foi tomada após Bolsonaro ser submetido a perícia da Polícia Federal (PF). O procedimento ocorreu depois de sua transferência da Superintendência da PF em Brasília para a chamada Papudinha, unidade localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, dentro do complexo penitenciário da Papuda.

De acordo com o relator, a perícia concluiu que, embora o ex-presidente tenha quadro clínico de alta complexidade, não há, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar. O ministro ressaltou que as condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem integralmente às necessidades do condenado.

Entre os pontos listados na decisão estão a possibilidade de serviços médicos contínuos, múltiplos atendimentos diários, sessões de fisioterapia, atividades físicas e assistência religiosa. Moraes também registrou que o ex-presidente tem acesso a numerosas visitas de familiares, amigos e aliados políticos.

Agenda de visitas e condição de saúde

O ministro observou que Bolsonaro mantém intensa agenda de visitas, inclusive de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas. Para Moraes, esse fluxo de contatos confirma a boa condição de saúde física e mental do ex-presidente e corrobora os atestados médicos juntados aos autos.

Na análise do pedido, o magistrado reforçou que a prisão domiciliar humanitária é medida excepcional e que, no caso concreto, o ex-presidente não preenche os requisitos para sua concessão.

Motivos da prisão preventiva

Moraes também reafirmou que a prisão preventiva foi decretada em razão da conduta atribuída ao ex-presidente no curso da execução penal. Segundo a decisão, a custódia foi determinada “única e exclusivamente” em razão da tentativa de fuga, que teria ocorrido quando Bolsonaro violou o equipamento de monitoramento eletrônico que utilizava.

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