Celso Amorim alerta: “Devemos nos preparar para o pior” com agravamento de tensões e guerras
Assessor da Presidência vê risco de escalada militar no Oriente Médio e na América do Sul, critica ataques a instalações nucleares no Irã e diz que uma tentativa de mudança de regime pode ampliar o caos
02/03/2026 às 18:58por Redação Plox
02/03/2026 às 18:58
— por Redação Plox
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O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que espera um agravamento do cenário global diante do avanço de tensões e guerras no exterior. As declarações, dadas em entrevista repercutida pela imprensa, ocorrem em meio às avaliações do governo Luiz Inácio Lula da Silva sobre o risco de escalada militar no Oriente Médio e na América do Sul, com potencial de atingir a ordem internacional e gerar efeitos econômicos, como pressão sobre o preço do petróleo.
Celso Amorim, assessor especial da Presidência
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
“Preparar para o pior” e temor de escalada no Oriente Médio
Em entrevista à BBC News Brasil, reproduzida pelo Correio Braziliense, Amorim disse estar pessimista em relação à evolução do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos e afirmou que, de forma “honesta”, espera “o pior”. Na mesma conversa, avaliou que uma eventual tentativa de mudança de regime no Irã por parte dos EUA poderia provocar um cenário de caos ainda mais grave do que o registrado no Iraque e na Líbia, lembrando o histórico de instabilidade após intervenções militares.
As falas reforçam um diagnóstico que o diplomata vem repetindo em outras manifestações recentes sobre o aumento do risco global e a erosão de regras internacionais, tema que tem pautado análises e entrevistas públicas suas, conforme registros da imprensa.
Alinhamento com Itamaraty e foco em defesa regional
Na mesma entrevista, Amorim afirmou que sua posição está em sintonia com uma nota do Ministério das Relações Exteriores que condenou ataques contra instalações nucleares no Irã e expressou “grave preocupação” com a escalada militar no Oriente Médio, segundo descreveu o Correio Braziliense.
Paralelamente, o assessor especial tem defendido postura de cautela diante de tensões na América do Sul. Em novembro de 2025, de acordo com o InfoMoney (com conteúdo do Estadão), ele argumentou que o Brasil precisa adotar uma abordagem de “defesa sul-americana” ao tratar da crise envolvendo a Venezuela e dos riscos próximos à fronteira brasileira.
Limites da diplomacia brasileira e efeitos econômicos
Amorim também apontou que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz teria impacto “imenso” sobre o preço do petróleo, com potencial de pressionar combustíveis, encarecer o transporte e alimentar a inflação. Esse risco econômico se soma ao quadro de instabilidade geopolítica e reforça a leitura de que o conflito no Oriente Médio pode transbordar para outras frentes.
Ao comentar o papel do Brasil, ele avaliou que o país teria “zero chance” de mediar o conflito atual, ao contrário do que ocorreu em episódios passados, indicando limites para a atuação diplomática brasileira nas crises em curso. Nesse contexto, o Itamaraty tende a concentrar esforços em posicionamentos multilaterais e na divulgação de notas oficiais.
Preocupação com fronteiras e debate político interno
As referências à “defesa sul-americana” e ao risco de conflito no entorno da Venezuela destacam a preocupação com a segurança de fronteiras e a estabilidade regional. O tom de alerta sintetizado na orientação de “se preparar para o pior” tende a repercutir não apenas na formulação da política externa, mas também no debate político interno.
A avaliação de Amorim deve alimentar discussões no Congresso e entre apoiadores e opositores do governo sobre o grau de alinhamento internacional do Brasil e a forma como o país reage à escalada de crises no Oriente Médio e na América do Sul, em um contexto em que indicadores sensíveis, como o preço do petróleo e dos combustíveis, seguem no radar.