Pesquisa em ato bolsonarista na Paulista aponta apoio a impeachment de Moraes e Toffoli
Levantamento da USP e do Cebrap entrevistou 704 pessoas e também mediu preferências eleitorais, opinião sobre tarifas dos EUA e defesa de anistia por tentativa de golpe
02/03/2026 às 12:39por Redação Plox
02/03/2026 às 12:39
— por Redação Plox
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Quase todos os manifestantes que participaram do protesto bolsonarista desse domingo (1º/3), na Avenida Paulista, declararam apoiar o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Convocado para criticar a Corte e impulsionar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ato teve forte tom contrário ao tribunal.
O levantamento é do Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo (USP), e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a ONG More in Common.
Pesquisa feita pelo Monitor do Debate Político da USP também aponta que 93% apoiam impedimento também de Toffoli.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
De acordo com a pesquisa, 95% dos entrevistados defenderam o impedimento de Alexandre de Moraes e 93% disseram apoiar o impeachment de Dias Toffoli. Ao todo, 704 pessoas foram ouvidas entre os 20,4 mil participantes estimados do ato na Paulista.
Flávio Bolsonaro lidera preferência para a Presidência
O estudo também buscou medir a preferência eleitoral entre os presentes. Flávio Bolsonaro foi apontado como favorito para a disputa presidencial por 74% dos entrevistados.
Em segundo lugar apareceu Tarcísio de Freitas (Republicanos), citado por 10% dos participantes. Michelle Bolsonaro (PL) foi mencionada por 4%.
Outros 9% afirmaram preferir outros nomes. Já 3% disseram não ter preferência por nenhum dos citados, e 1% declarou não saber responder.
Tarifas dos EUA, anistia e perfil ideológico
A pesquisa abordou ainda temas de política internacional e de comportamento político. Questionados sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, 28% dos entrevistados disseram ser completamente favoráveis e outros 28% se colocaram parcialmente a favor. Já 23% se declararam contra as medidas.
Em relação à punição a envolvidos em tentativa de golpe de Estado, 81% defenderam anistia a políticos e militares condenados. O levantamento mostra ainda que 77% dos participantes se disseram muito de direita, enquanto 67% afirmaram se considerar muito conservadores.
Divisão entre bolsonaristas sobre ataques ao STF
O grau de enfrentamento ao STF não foi consenso entre os organizadores do protesto, que temiam eventuais infrações à legislação eleitoral por parte de convidados. Uma ala avaliava que a pressão pelo impeachment de Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master, poderia acabar beneficiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nessa leitura, com a vaga aberta, Lula teria a possibilidade de indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) ao STF, o que poderia atrair novos aliados do centrão para a campanha petista, especialmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Outro grupo temia que o afastamento de Toffoli criasse precedente para o impedimento de outros ministros da Corte, como Alexandre de Moraes. Esse entendimento foi vocalizado por lideranças religiosas alinhadas ao bolsonarismo.
Discursos mais moderados e ataques recorrentes
Enquanto o presidenciável Flávio Bolsonaro (Republicanos) adotou tom mais cauteloso em seu discurso na Avenida Paulista, evitando mencionar diretamente Toffoli e Moraes, outros convidados subiram o tom nas falas contra o STF.
Lideranças políticas e religiosas menos controladas pelos organizadores do ato mantiveram o padrão de ataques à Suprema Corte em discursos na Paulista, a exemplo de participantes que já costumam criticar o tribunal em outras manifestações, assim como o governador Ronaldo Caiado (PSD).