Sindicatos criticam reajuste ventilado por Zema e cobram recomposição maior para servidores

Entidades apontam defasagem frente à inflação e lembram que o funcionalismo teve 15,14% de reajustes gerais no governo, enquanto o IPCA acumulou 45,14%; Seplag diz que índice depende da capacidade financeira e de limites legais

02/03/2026 às 12:54 por Redação Plox

A discussão sobre o reajuste salarial do funcionalismo estadual voltou ao centro do debate em Minas Gerais. Entidades sindicais passaram a criticar de forma mais contundente o valor de recomposição ventilado pelo governo Romeu Zema (Novo) e cobram um índice mais próximo das perdas acumuladas pelos servidores. O tema ganhou força com a expectativa de anúncio de um percentual ainda em 2026 e com a iminente transição no comando do Executivo, já que o vice-governador Mateus Simões (PSD) deve assumir o governo no fim de março.

Foto: Divulgação: Instagram


Sindicato aponta defasagem e cobra recomposição maior

Entidades representativas de servidores estaduais intensificaram a pressão por um reajuste geral. A avaliação é de que as correções concedidas nos últimos anos ficaram muito aquém da inflação do período, o que, segundo as categorias, agravou a perda do poder de compra.

Levantamento citado pelo Estado de Minas indica que, durante o governo Zema, a maior parte do funcionalismo recebeu dois reajustes gerais: 10,06% em 2022 e 4,64% em 2024, totalizando 15,14%. No mesmo intervalo, a inflação medida pelo IPCA somou 45,14%. Para as entidades, essa diferença reforça a necessidade de uma recomposição mais robusta.

A mesma reportagem relata que, nos bastidores, circulam projeções e expectativas de percentuais para um novo reajuste, mas sem que o governo tenha confirmado oficialmente qualquer índice fechado até o momento.

Informações em apuração indicam que ainda não há um valor final de reajuste geral para 2026 anunciado publicamente por Romeu Zema, o que mantém o foco nas críticas dos sindicatos ao patamar cogitado e na pressão por um porcentual mais elevado.

Posicionamento oficial do governo e histórico na ALMG

De acordo com nota mencionada pelo Estado de Minas, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) afirma manter diálogo com as categorias e sustenta que decisões sobre reajustes e benefícios são tomadas com base na capacidade financeira do Estado, em estudos técnicos e na observância dos limites legais.

No Legislativo, a Assembleia de Minas já tratou de diferentes propostas de recomposição salarial nos últimos anos, o que ajuda a ilustrar como o Executivo costuma formalizar esse tipo de medida: envio de projeto de lei, leitura em plenário e tramitação nas comissões antes da votação final. Um dos exemplos foi o PL 2.309/24, que previa recomposição de 3,62%, retroativa a janeiro de 2024.

Na área da Educação, a ALMG também registrou embates entre o índice defendido pelo governo e o percentual reivindicado pela categoria. Em 2025, houve pressão para que o reajuste acompanhasse o piso nacional do magistério, enquanto o Executivo trabalhava com um índice menor no projeto encaminhado.

Impactos para servidores, população e calendário político

Para servidores ativos, aposentados e pensionistas com paridade, um reajuste geral, quando aprovado, tende a repercutir diretamente na folha de pagamentos. A depender do texto encaminhado pelo governo, o aumento pode alcançar vencimentos-base e gratificações, ampliando o impacto orçamentário.

Na ponta, a população também sente os reflexos. Impasses prolongados aumentam o risco de mobilizações e paralisações em áreas consideradas sensíveis, como educação e segurança pública, além de pressionar o orçamento estadual e limitar a capacidade de investimento em outras frentes.

A combinação entre a expectativa de um anúncio “ainda em 2026” e a mudança de comando no Executivo no fim de março amplia a cobrança por rapidez e transparência na definição do índice, do público-alvo e do formato do reajuste — linear, por carreira ou escalonado.

Próximos passos na negociação do reajuste

As entidades sindicais devem manter uma agenda de reuniões, atos e mobilizações para defender um percentual maior de recomposição, com regras que considerem as perdas acumuladas frente à inflação do período.

Se o governo decidir formalizar a proposta de reajuste, o passo seguinte será o envio do texto à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, dando início à tramitação nas comissões e, depois, no plenário.

A expectativa é acompanhar, nos próximos meses, a divulgação do índice pretendido e das carreiras contempladas, o impacto fiscal estimado, eventuais definições sobre data-base ou retroatividade e, sobretudo, a reação das principais entidades do funcionalismo ao valor proposto, em um cenário em que o sindicato critica o patamar de reajuste cogitado pelo governo Zema e pressiona por uma recomposição mais ampla para os servidores de Minas.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a