PM afasta tenente-coronel investigado por morte suspeita da esposa em SP
Soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal, e caso passou de suicídio para morte suspeita após inconsistências e depoimentos
02/03/2026 às 13:04por Redação Plox
02/03/2026 às 13:04
— por Redação Plox
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A Polícia Militar afastou de suas funções o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte suspeita de sua esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal morava na região do Brás, no centro de São Paulo. O disparo foi feito com a arma do oficial.
O caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado. Após depoimentos de familiares e a identificação de inconsistências no relato do marido, a ocorrência passou a ser tratada como morte suspeita.
O afastamento do tenente-coronel foi confirmado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), que informou que ele está fora de suas atividades a pedido.
PM, mulher do coronel, morreu com um tiro na cabeça. Polícia Civil inicialmente tratou caso como suicídio, mas alterou para “morte suspeita”
Foto: Instagram/Reprodução
Versão do tenente-coronel e pontos que despertaram suspeita
Em sua declaração inicial à Polícia Civil, o oficial relatou que havia pedido o divórcio, o que teria provocado reação negativa na esposa. Segundo ele, Gisele teria atentado contra a própria vida enquanto ele tomava banho.
O tenente-coronel disse ainda ter acionado o helicóptero Águia da PM e solicitado a presença de equipes da corporação no endereço, além de contactar um amigo desembargador para que fosse ao local. Após o ocorrido, afirmou ter sido levado ao Hospital das Clínicas para atendimento psicológico com duas profissionais.
Mesmo assim, o militar retornou para casa, onde tomou banho e trocou de roupa, atitude que causou estranhamento entre os responsáveis pela investigação.
Relato da mãe aponta controle e violência
Em depoimento à polícia, a mãe de Gisele contestou a versão do genro. Ela afirmou que a filha vivia um relacionamento “extremamente conturbado” e descreveu o tenente-coronel como abusivo, violento e controlador.
Segundo o relato, Gisele era impedida de usar batom, andar de salto alto e usar perfume, além de ter de cumprir rigorosamente diversas tarefas domésticas.
Na semana anterior à morte, a policial teria ligado para os pais pedindo para ser buscada, dizendo que não suportava a pressão e que queria se separar. Dias depois, porém, teria mudado de ideia, pouco antes de ser encontrada morta.
Enquanto as versões se confrontam, a polícia aguarda a conclusão de exames e laudos periciais para determinar se houve ou não crime violento.
Protesto em frente à Corregedoria da PM
Familiares e amigos de Gisele realizaram um protesto em frente à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, em um sábado, contra a morte da policial. Eles contestam o tratamento inicial do caso como suicídio e apontam a possibilidade de feminicídio.
O silêncio que tem aqui agora não é de omissão, talvez de alguns, mas não na sua totalidade. É um silêncio que vem de uma hierarquia, de uma corporação arcaica, que da porta para dentro do quartel existe uma ditadura e que todos eles passam por isso em silêncio, aí a Gisele também passava por isso — manifestante no protesto em frente à Corregedoria da PM
Trajetória e vida pessoal de Gisele
Gisele tinha 32 anos, era soldado da Polícia Militar e havia conseguido recentemente uma promoção para atuar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). Ela deixou uma filha e era vista por pessoas próximas como uma amiga presente.
A policial começou a trabalhar aos 17 anos, como caixa em um supermercado na zona leste de São Paulo. Foi criada e sempre morou na região do Jardim Romano até se mudar com o marido para o centro da capital paulista.