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Um estudo recentemente publicado na revista Science Advances indica que uma variante genética pode estar relacionada à baixa ocorrência de doença de Chagas entre indígenas da Amazônia. A pesquisa analisou mais de 600 mil marcadores do genoma de 118 pessoas de 19 populações indígenas, abrangendo a maior parte do território amazônico.

O gene protetor
Pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) identificaram diferenças em genes envolvidos no metabolismo, sistema imune e resistência à infecção por parasitas, como o Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. A variante genética mais frequente, presente no gene conhecido como PPP3CA, foi encontrada em 80% dos indivíduos analisados. Essa mesma variante ocorre em menor frequência em outras populações: 10% na Europa e 59% na África.
Tábita Hünemeier, professora do IB-USP e coordenadora do estudo, destaca que a área das populações analisadas é justamente onde a doença de Chagas menos ocorre, apesar da maior diversidade do inseto transmissor, o barbeiro.
Testes em células cardíacas
Para compreender o papel do gene PPP3CA na interação com o Trypanosoma cruzi, os pesquisadores converteram células-tronco pluripotentes em células cardíacas. Ao reduzir a expressão do gene PPP3CA em cerca de 65% em algumas células, a capacidade de infecção dos protozoários foi aproximadamente 25% menor do que naquelas com a expressão normal do gene.
Kelly Nunes, pesquisadora do IB-USP, explica que o gene, em sua condição mais comum em outras populações, favorece a replicação do protozoário. "Esse fator provavelmente levou os ancestrais dos indígenas amazônicos que tinham a variante protetora a serem menos infectados e sobreviverem mais à doença, passando esse traço para seus descendentes", afirma.
Perspectivas para o futuro
Os resultados do estudo podem contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença de Chagas. Tábita Hünemeier ressalta que a pesquisa estabelece a existência de um fator genético responsável pela infecção, mostrando que algumas pessoas são mais suscetíveis do que outras. Essa descoberta abre novas perspectivas na área da saúde, ampliando o entendimento da doença e das populações afetadas.
A doença de Chagas é considerada uma das 20 doenças tropicais negligenciadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa realizada com populações indígenas da Amazônia é especialmente relevante, uma vez que elas são frequentemente negligenciadas do ponto de vista genético e médico.