Complicações em estética crescem 41% entre médicos e 90% entre não médicos em SP
Especialistas relacionam casos graves — incluindo mortes — a intervenções invasivas feitas por pessoas sem formação adequada e defendem mais fiscalização e regras claras para limitar a atuação profissional
02/04/2026 às 08:05por Redação Plox
02/04/2026 às 08:05
— por Redação Plox
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Foto: Freepik
O aumento de complicações em procedimentos estéticos no Brasil tem preocupado especialistas e reacendido o debate sobre fiscalização e limites de atuação profissional. Entidades médicas apontam que a realização de intervenções invasivas por pessoas sem formação médica amplia o risco de quadros graves, com danos difíceis de reverter.
Entidades médicas alertam para complicações graves fora do ambiente médico
O avanço de procedimentos estéticos realizados por pessoas sem qualificação adequada tem sido associado ao crescimento de complicações e a casos com desfechos graves, segundo alertas de entidades e especialistas citados em reportagens recentes. Em 28 de junho de 2024, o jornal O Globo publicou uma entrevista na qual a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) afirmou receber relatos de complicações sérias — incluindo mortes — envolvendo procedimentos invasivos feitos por profissionais não médicos. A entidade defendeu reforço na fiscalização e a restrição dessas práticas a médicos habilitados.
Em São Paulo, o tema ganhou força após casos investigados por autoridades e repercutidos na imprensa. A CNN Brasil noticiou que a maior parte das denúncias relacionadas a falsos médicos no estado envolve procedimentos estéticos, em um cenário descrito como de “banalização” dessas intervenções e de risco elevado quando não há estrutura e preparo para lidar com intercorrências.
CFM cita estudo e pede regulamentação e fiscalização
Além das manifestações de entidades, o Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou que um artigo de pesquisadores brasileiros, publicado em periódico internacional, apontou que mais de 12% dos pacientes atendidos por especialistas médicos no país já haviam se submetido a procedimentos estéticos invasivos com profissionais não qualificados, com registro de complicações relevantes. O CFM defendeu urgência em regulamentação e fiscalização para enfrentar o problema.
Infecções, necrose e reações adversas aparecem entre os riscos descritos
Entre as complicações descritas por especialistas e documentos técnicos, aparecem quadros como infecções, necrose e outras reações adversas, especialmente em procedimentos invasivos e no uso inadequado de substâncias. Um dossiê publicado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e disponibilizado no portal do CFM reúne discussões sobre complicações associadas a procedimentos realizados por não médicos e reforça a preocupação com danos potencialmente graves.
Cremesp atua contra exercício ilegal e reforça orientação ao público
Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) tem atuado no combate ao exercício ilegal da medicina e a práticas consideradas privativas do médico, incluindo ações judiciais e iniciativas de fiscalização, conforme boletim institucional do conselho.
A orientação de entidades médicas é que pacientes verifiquem a qualificação do profissional e busquem atendimento com médicos habilitados, sobretudo quando se trata de procedimentos invasivos, que exigem capacidade de diagnóstico e preparo para o manejo de complicações.