Dólar abre em alta e petróleo volta a subir com tensão entre EUA e Irã no radar

Moeda americana avançava 0,44% por volta das 9h30, a R$ 5,1806, enquanto investidores reagiam às falas de Donald Trump sobre intensificação dos bombardeios; Brent operava perto de US$ 108.

02/04/2026 às 09:46 por Redação Plox

O mercado financeiro iniciou esta quinta-feira (2) sob a influência direta do noticiário geopolítico, com investidores atentos à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra com o Irã e aos possíveis efeitos do conflito sobre o petróleo. No Brasil, o dólar abriu em alta de 0,44% por volta das 9h30, negociado a R$ 5,1806, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. 

Tensão no Oriente Médio volta ao radar e pesa no humor dos investidores

As atenções se concentraram no Oriente Médio após novas falas de Trump sobre a ofensiva contra o Irã. O presidente afirmou que os Estados Unidos estariam “muito perto” de atingir seus objetivos em Teerã, descartou a possibilidade de cessar-fogo e sinalizou que os bombardeios devem se intensificar nas próximas duas a três semanas. O tom ampliou a aversão ao risco nos mercados.

O petróleo permaneceu como um dos principais canais de transmissão do conflito para a economia global, com potencial impacto sobre inflação e expectativas de juros. Depois de encerrar a sessão anterior perto de US$ 100 por barril, o Brent voltou a subir e passou a operar em torno de US$ 108, em meio a temores de problemas de abastecimento nas próximas semanas.

Dólar avança no início do pregão e bolsa abre mais tarde

Com o cenário externo mais incerto, o câmbio reagiu logo no início do dia. Além da alta de 0,44% por volta das 9h30, o dólar acumulava, até então, queda de 1,62% na semana, recuo de 0,43% no mês e baixa de 6,05% no ano.

O Ibovespa, que abre às 10h, vinha de uma semana positiva: alta de 3,52% no período, avanço de 0,26% no mês e valorização de 16,65% no ano.

Trump sinaliza possível saída do conflito e amplia críticas a aliados

Trump também indicou que a participação americana no conflito pode terminar em breve. Na terça-feira (31), ele afirmou que os EUA devem deixar o Irã “muito em breve” e disse que Teerã não precisa necessariamente assinar um acordo formal para que os ataques sejam interrompidos.

Uma reportagem publicada na segunda-feira (30) pelo “The Wall Street Journa”, citando fontes do governo americano, afirmou que Trump teria dito a assessores que está disposto a encerrar a guerra mesmo que o Estreito de Ormuz continue fechado. Segundo o jornal, o presidente e seus conselheiros avaliam que uma operação militar para reabrir completamente a rota marítima poderia prolongar o conflito além do prazo de seis semanas prometido por Trump.

A estratégia discutida pelo governo seria concentrar os ataques em alvos militares considerados centrais, como a marinha iraniana e a capacidade de lançamento de mísseis do país. Depois dessa fase, os ataques seriam reduzidos, em uma tentativa de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz.

As declarações vieram acompanhadas de críticas a aliados dos EUA. Trump afirmou que outros países deveriam “buscar seu próprio petróleo” e reclamou da falta de maior envolvimento desses governos no esforço militar. Ele também voltou a ameaçar reduzir o apoio militar a aliados europeus, citando especialmente o Reino Unido, e sugeriu que países europeus passem a comprar petróleo dos EUA, dizendo que o país “tem bastante”.

Gasolina mais cara nos EUA entra no radar com impacto econômico

Os efeitos do conflito também começaram a aparecer em alguns mercados. Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão na terça-feira, o maior nível desde 2022. O aumento pode adicionar pressão à economia americana em um ano de eleições para o Congresso.

EUA suspendem sanções contra Delcy Rodríguez, segundo atualização do OFAC

Outro ponto acompanhado pelos investidores foi a Venezuela. O governo dos EUA suspendeu sanções que mantinha contra Delcy Rodríguez desde 2018, após atualização na lista do OFAC, órgão do Departamento do Tesouro americano. A medida acrescentou um novo elemento ao cenário regional em um momento em que o mercado observa o comportamento do petróleo e seus reflexos sobre moedas e ativos de países emergentes.

Mercados globais encerram em alta

Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,48%, aos 46.565,86 pontos; o S&P 500 avançou 0,69%, aos 6.573,89 pontos; e o Nasdaq teve ganhos de 1,16%, aos 21.840,95 pontos.

Na Europa, as bolsas também encerraram em alta. O Stoxx 600 subiu 2,41%, aos 597,19 pontos. Entre os principais mercados, o FTSE 100, de Londres, avançou 1,85%, aos 10.364,79; o DAX, de Frankfurt, teve alta de 2,73%, aos 23.298,89; e o CAC 40, de Paris, ganhou 2,10%, aos 7.981,27.

Na Ásia, os mercados fecharam em alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 2,2%, para 25.339,45 pontos; o índice composto de Xangai subiu 1,5%, aos 3.948,55 pontos; e o Nikkei, de Tóquio, teve alta de 5,2%, para 53.739,68 pontos.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a