Alta do querosene de aviação pode encarecer passagens nas próximas semanas

Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio do QAV às distribuidoras, e especialistas projetam repasse de 10% a 20% nas tarifas, além de possível redução de voos.

02/04/2026 às 11:07 por Redação Plox

As passagens aéreas podem ficar mais caras nas próximas semanas, e o principal motivo é a disparada do querosene de aviação. O impacto tende a chegar diretamente ao bolso do passageiro.

Alta do querosene pressiona preços e pode reduzir oferta

A Petrobras anunciou um aumento de mais de 50% no preço médio do QAV vendido às distribuidoras a partir deste mês, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio.


Especialistas projetam que as passagens podem subir entre 10% e 20%, com um cenário mais provável perto de 15%. Esse impacto, porém, não deve se limitar ao preço: também pode afetar a oferta de voos.

Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio do combustível, refletindo a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.

Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio do combustível, refletindo a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.

Combustível já representa perto de 40% dos custos do setor

Um dos pontos centrais é o peso do combustível na conta das empresas aéreas. Hoje, o querosene já representa perto de 40% das despesas do setor e, segundo a associação das companhias aéreas, pode chegar a 45% depois dos reajustes.


Com isso, a avaliação é que o custo para transportar cada passageiro por quilômetro tende a subir em torno de 20%.

Efeito em cadeia pode derrubar procura e levar a cortes

A alta dos preços também pode provocar um efeito em cadeia: quando a passagem sobe, a demanda costuma cair. A estimativa é que um aumento de 15% no valor possa reduzir a procura em proporção parecida, o que pode levar as companhias a diminuir frequências e até cortar rotas menos rentáveis.

Guerra eleva risco no transporte de petróleo e amplia oscilações

A explicação para o salto passa pelo cenário externo. A guerra elevou o risco no transporte global de petróleo, com o barril chegando a passar de 115 dólares.


Mesmo com parte do querosene sendo produzido no Brasil, o preço segue a referência internacional, o que amplifica as oscilações.

Petrobras cria parcelamento e governo discute alternativas

Para tentar suavizar a alta, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento: em abril, as distribuidoras pagariam uma alta equivalente a 18%, e o restante seria dividido em seis parcelas a partir de julho.


O governo também já discute alternativas. Entre as propostas em análise estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, a diminuição do IOF em operações financeiras das companhias e mudanças no Imposto de Renda em operações de leasing de aeronaves. Também existe a possibilidade de uma linha temporária do FNAC para compra de combustível.

Recomendação é acompanhar repasses e possíveis ajustes na malha

Para quem está planejando viagem, a recomendação de especialistas é ficar atento, porque repasses podem acontecer de forma rápida. E, se houver redução de voos, a tendência é a oferta cair e os preços subirem ainda mais.

E assim encerramos mais uma live por aqui.

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