Pelo menos 21 estados já sinalizaram adesão à proposta do governo federal que prevê uma subvenção (subsídio) a importadores de diesel para tentar conter a alta do combustível no país. Entre os estados citados estão Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais. Outros ainda não se manifestaram.
O governo do Rio de Janeiro, por exemplo, informou que vai aguardar a publicação da medida provisória para decidir sobre a adesão à política de subvenção ao diesel.
Estados que já indicaram apoio à proposta
Confira abaixo os estados que se manifestaram a favor da medida:
Acre (AC), Alagoas (AL), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Espírito Santo (ES), Maranhão (MA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Paraíba (PB), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Roraima (RR), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Sergipe (SE) e Tocantins (TO).
Amapá (AP), Goiás (GO) e Pará (PA) ainda não se manifestaram. Rondônia (RO) e o Distrito Federal (DF) já se posicionaram contra.
Governo quer formalizar medida por MP ainda nesta semana
Nesta terça-feira (31), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida deve ser viabilizada mesmo sem unanimidade e será formalizada por medida provisória (MP) ainda nesta semana.
Como funciona o subsídio proposto para o diesel importado
Pela proposta apresentada aos governadores, o governo federal pretende conceder uma subvenção aos importadores de diesel para conter a alta dos preços. O benefício seria de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, dividido igualmente entre União e estados, com R$ 0,60 para cada parte.
O acordo teria validade de dois meses e, nesse período, a perda estimada de arrecadação para os estados é de cerca de R$ 1,5 bilhão. A compensação será feita por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de cada unidade da federação.
Nesse modelo, os estados não precisariam zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — diferentemente da proposta inicial, que previa a redução do imposto sobre o diesel.
A iniciativa se soma a outras ações já adotadas pelo governo federal, como a isenção de PIS/Cofins e a subvenção de R$ 0,32 por litro já concedida pela União.
Discussões com secretários de Fazenda avançaram em São Paulo
Na semana passada, representantes do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) se reuniram em São Paulo com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, para discutir a medida.
Na ocasião, Ceron afirmou que um número “relevante” de estados demonstrou apoio. Após o encontro, os estados que ainda não haviam se posicionado tiveram até segunda-feira (30) para enviar um parecer final.
É uma guerra da qual o país não participa diretamente, mas que traz impactos relevantes. O aumento do preço do petróleo afeta o diesel, que impacta a produção rural, os caminhoneiros, o transporte e a logística, e isso acaba sendo repassado para toda a sociedade
Rogério Ceron
Ceron também ressaltou que, apesar de medidas já adotadas, ainda seriam necessárias ações adicionais, especialmente na importação.
Ele afirmou que o Brasil exporta petróleo, mas ainda importa cerca de 30% do diesel que consome, e que há preocupação com a incerteza na importação, o que poderia gerar problemas pontuais na distribuição, especialmente no setor rural.
Na avaliação do secretário-executivo, a proposta busca reduzir esses riscos e reforçou que a medida seria uma ação conjunta para apoiar a população, os produtores rurais e os caminhoneiros, evitando que o choque de preços chegue com força ao consumidor final.
Já o presidente do Comsefaz, Flávio Cesar de Oliveira, considerou a reunião positiva e disse que o encontro permitiu avanços, sobretudo ao esclarecer dúvidas técnicas que ainda dificultavam a adesão de parte dos estados.
Proposta inicial sobre ICMS foi rejeitada pelos estados
A proposta inicial do governo previa zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas pela União — um custo estimado em cerca de R$ 3 bilhões por mês, sendo R$ 1,5 bilhão ressarcido aos estados.
A ideia foi rejeitada pelo Comsefaz, sob o argumento de que a redução do imposto comprometeria a arrecadação destinada a serviços públicos e nem sempre resulta em queda efetiva dos preços ao consumidor.
Guerra no Oriente Médio pressiona o petróleo e impacta o diesel
O conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, com impacto agravado pelo fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global.
Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 115, caminhando para encerrar março com a maior alta desde 1990.
O receio é que o conflito provoque uma alta mais persistente dos preços de energia, pressionando a inflação e elevando o risco de desaceleração econômica em várias partes do mundo.
Com a alta do petróleo no mercado internacional, o custo de produção do diesel também aumenta. No Brasil, isso tende a gerar efeito em cadeia, encarecendo frete, alimentos, energia e o agronegócio.
Desde o início da guerra, o preço médio do combustível acumula alta de 23,55%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados na última sexta-feira (27).
O movimento foge do padrão, já que reajustes costumam ocorrer após mudanças anunciadas pela Petrobras.
Monitoramento e investigações sobre distorções de preços
Diante do cenário, o governo também quer ampliar o monitoramento das operações, com envio de notas fiscais em tempo real à ANP e compartilhamento de informações entre estados, incluindo listas de devedores contumazes.
Em paralelo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga possíveis distorções de preços após relatos de aumento de margens no mercado. As medidas buscam coibir irregularidades, evitar fraudes e garantir que eventuais reduções de custos cheguem ao consumidor final.
Informações relatadas por levantamento feito pelo portal de notícias g1.