PM aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa em SP

Portaria concede aposentadoria proporcional por idade, com vencimentos integrais, e militar seguirá recebendo remuneração enquanto responde a processos internos e investigações

02/04/2026 às 12:48 por Redação Plox

A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quinta-feira (2) uma portaria de inatividade que transfere para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de feminicídio pela morte da esposa, a PM Gisele Alves Santana


Segundo a portaria, assinada pela Diretoria de Pessoal da PM, o oficial tem direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais. O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio tenente-coronel à corporação.

Oficial é investigado por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente; defesa inicial apontava suicídio, mas laudos da Polícia Civil contestaram versão e o acusam de feminicídio e fraude processual.

Oficial é investigado por feminicídio e fraude processual e está preso preventivamente; defesa inicial apontava suicídio, mas laudos da Polícia Civil contestaram versão e o acusam de feminicídio e fraude processual.

Foto: Reprodução / TV Globo.



Mesmo com a transferência para a reserva, o militar continuará recebendo o salário que — em fevereiro de 2026, antes da prisão — foi de R$ 28,9 mil brutos, de acordo com o site da Transparência do Governo de São Paulo.


Com os critérios de proporcionalidade da idade atual dele, de 53 anos, o salário de aposentado deve ficar em torno de R$ 21 mil, segundo cálculos feitos pela reportagem.

Corregedoria mantém processo de expulsão

A PM afirma que a aposentadoria não faz com que o tenente-coronel escape do processo de expulsão da corporação, aberto pela Corregedoria.

SSP cita conselho de justificação e investigações em andamento

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que autorizou, a pedido do Comando da Polícia Militar, a instauração de um conselho de justificação em relação ao tenente-coronel, que pode resultar em demissão, perda do posto e da patente, e que a instrução segue valendo mesmo após a transferência do oficial para a reserva.


A SSP também afirmou que o inquérito policial militar que apura a morte de Gisele Alves Santana está em fase final e será encaminhado ao Judiciário. De acordo com a corporação, o oficial permanece preso preventivamente por decisão judicial, após representação da Corregedoria da PM, e o inquérito da Polícia Civil já foi concluído e encaminhado à Justiça, com pedido de prisão já cumprido.

Prisão preventiva e suspeita de fraude processual

Geraldo Neto foi preso em 18 de março, após a prisão preventiva ser decretada pela Justiça Militar. Ele é investigado por feminicídio e fraude processual.


O oficial é acusado de forjar a morte da esposa, que morreu com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia no Brás, no Centro de São Paulo. Na ocasião, ele disse que a esposa teria se suicidado, mas investigações da Polícia Civil, com base em laudos periciais, apontaram lacunas na versão apresentada. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.

Defesa da família questiona rapidez da aposentadoria

Causou espécie a nós a celeridade da corporação [PM] em aposentá-lo. Tenho notícias que entraram com esse pedido e, em menos de uma semana e hoje foi publicado no Diário Oficial. Temos notícias que policiais doentes precisam entrar na Justiça para conseguir esse benefício. Os praças levam ao menos 60 dias [pra conseguir a reserva]. Depois vêm à público dizer que corta na carne? Que não admite a conduta incompatível, sendo que estão dando privilégios para o sr tenente-coronel?

O advogado criminalista da família de Gisele Alves Santana, José Miguel da Silva Júnior, também afirmou que a aposentadoria não impediria o andamento do conselho de justificação, mas considerou injusto que o tenente-coronel continue recebendo valores, segundo ele, às custas da população.

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