Levantamento aponta oito voos de Moraes e esposa em jatos ligados a ex-dono do Banco Master

Entre maio e outubro de 2025, viagens entre Brasília e São Paulo teriam usado aeronaves operadas pela Prime Aviation e por empresa sem autorização para táxi aéreo; gabinete do ministro nega

02/04/2026 às 07:39 por Redação Plox

Os voos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em jatos executivos de empresas do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, ou ligadas a ele, chegam a custar mais de R$ 600 mil no mercado de táxi aéreo, segundo cotações colhidas pelo jornal O TEMPO.

Levantamento do jornal “Folha de S. Paulo” aponta que, entre maio e outubro de 2025, foram oito voos em deslocamentos entre Brasília e São Paulo. Em sete desses trechos, o casal teria utilizado aeronaves da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue. A empresa é certificada para operar como táxi aéreo.

Registros e cruzamento de dados

Ministro Alexandre de Moraes, do STF, e esposa voaram em jatos de empresa de Vorcaro

Ministro Alexandre de Moraes, do STF, e esposa voaram em jatos de empresa de Vorcaro

Foto: Divulgação


Os dados citados foram obtidos a partir do cruzamento de informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Dcea) e do Registro Aeronáutico Brasileiro.

Somados, os oito voos realizados em quatro modelos de jatos totalizam R$ 616.850,00 no trajeto entre Brasília e São Paulo, valor que inclui custos de táxi aéreo, como combustível e tarifas aeroportuárias.

Os voos entre maio e outubro de 2025

Segundo a colunista Monica Bergamo, da “Folha”, o primeiro voo identificado nos documentos ocorreu em 16 de maio de 2025. Moraes e Viviane teriam decolado na aeronave de prefixo PR-SAD, um Embraer 505 Phenom 300, com capacidade para oito passageiros, além da tripulação. De acordo com apuração do jornal O TEMPO, a cotação do trecho Brasília–São Paulo nesse modelo é, em média, de R$ 71.500.

Em 22 de maio, o nome de Moraes foi registrado pela Anac em voo no mesmo jato, com destino ao aeroporto de Catarina, em São Paulo, voltado exclusivamente à aviação particular.

Já em 29 de maio, o casal teria embarcado novamente de Brasília para São Paulo na aeronave de prefixo PT-PVH, também um Phenom 300. Em 9 de julho, a Anac registrou o nome de Moraes como passageiro do avião PP-NLR, um Embraer Legacy 650, com capacidade para 13 passageiros. O frete desse modelo no mercado é estimado em R$ 110.500, em média.

No dia 1º de agosto, Moraes e Viviane voltaram a utilizar o jato PP-SAD, também operado pela Prime Aviation, para voar até São Paulo. Seis dias depois, em 7 de agosto, os nomes de ambos aparecem nos registros da Anac em voo para a capital paulista no PS-FSW, um Falcon 2000 registrado em nome da empresa SPE FSW, que tem Fabiano Zettel entre os sócios. No mercado de táxi aéreo, o custo do frete desse avião no trecho Brasília–São Paulo é de pouco mais de R$ 90 mil.

Em 20 de agosto, o casal foi registrado pela Anac na aeronave PT-PVH. O último voo em jato operado por empresa de Vorcaro teria ocorrido em 16 de outubro, quando utilizaram o avião PP-BIO, um Phenom 100, com capacidade para oito passageiros, com custo estimado em torno de R$ 58 mil.

Cotações informadas para o trajeto Brasília–São Paulo

O detalhamento das cotações listadas para os aviões citados aponta: 1 voo no Legacy 650 (R$ 110.500,00); 1 voo no Falcon 2000 (R$ 90.350,00); 5 voos na Phenom 300 (R$ 71.500,00 cada); e 1 voo no Phenom 100 (R$ 58.500,00), totalizando R$ 616.850,00.

O texto também registra que aeronaves de porte semelhante, porém mais antigas — como CJ1, CJ2, Hawker 400 e Citation — custam, em média, R$ 45 mil no trecho Brasília–São Paulo e seguem em uso.

Gabinete do ministro e escritório de Viviane rebatem

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram presos pela Polícia Federal (PF) durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que, além de fraudes bancárias, apura a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa.

O texto informa ainda que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes firmou, em fevereiro de 2024, contrato com o Banco Master que previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões por três anos, somando R$ 129 milhões no período. O contrato foi encerrado com a liquidação do banco, em novembro de 2025.

Em nota, o gabinete do ministro contestou a reportagem da “Folha” e afirmou:

as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece

Gabinete do ministro Alexandre de Moraes

Já o escritório de Viviane Barci de Moraes declarou que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre os prestadores já contratados, está a Prime Aviation. Segundo o escritório, “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”. A nota acrescenta que a contratação segue critérios operacionais, sem vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos, e afirma que nenhum dos sócios conhece Zettel.

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