Bolsonaro é internado em Brasília para cirurgia no ombro com autorização de Moraes
Ex-presidente, em prisão domiciliar temporária por razões de saúde, passará por procedimento para reparar o manguito rotador no ombro direito
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar por 120 dias à advogada mineira Aline Leal Bastos Morais de Barros, condenada a 14 anos de prisão pela participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. A medida foi tomada após ela ter sido submetida a uma cirurgia para retirada do útero.
A decisão representa uma mudança em relação ao entendimento anterior do ministro. Inicialmente, Moraes havia determinado a suspensão da ação por 120 dias depois do procedimento cirúrgico. Em seguida, reconsiderou e, em vez de manter a suspensão, concedeu a prisão domiciliar pelo mesmo período.
Advogada Aline Bastos teve concedida prisão domiciliar por 120 dias, após ser submetida a cirurgia para retirada do útero
Foto: crédito: Arquivo pessoal/divulgação
Aline Bastos é moradora de Montes Claros, no Norte de Minas. Em 19 de abril, Moraes suspendeu a ação por quatro meses a pedido da defesa, em razão de uma histerectomia total (retirada do útero) realizada em caráter de urgência.
Também atendendo a uma solicitação da defesa, foi autorizado que a advogada ficasse dispensada do uso de tornozeleira eletrônica durante o período de recuperação.
A reconsideração de Moraes — com a concessão da prisão domiciliar por 120 dias — foi proferida em 24 de abril. O despacho é anterior à votação do Congresso Nacional que derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei (PL) da dosimetria para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O veto foi derrubado com votos contrários de 318 deputados e 49 senadores.
Presa preventivamente em 18 de abril de 2023, a advogada teve liberdade provisória concedida por Moraes em 29 de maio de 2023, mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Ela também não podia se ausentar da comarca de Montes Claros e precisava permanecer em casa durante a noite e aos fins de semana.
No pedido feito ao STF após a cirurgia, a defesa — realizada por um defensor público federal e acompanhada de relatórios médicos — alegou que a advogada teve a mobilidade comprometida em razão do procedimento. Moraes atendeu ao requerimento e registrou:
Considerando as informações prestadas pela defesa da ré, no sentido de que Aline Leal Bastos Morais de Barros está em recuperação de um procedimento cirúrgico bastante agressivo, que é a histerectomia total e, portanto, impossibilitada de se locomover, defiro o requerimento formulado e autorizo a reinstalação da tornozeleira eletrônica após o encerramento do prazo de 120 (cento e vinte) dias
Alexandre de Moraes
No mesmo despacho, o ministro determinou que a execução da pena começasse ao fim dos 120 dias. Porém, ao reconsiderar a decisão, Moraes determinou o início imediato da pena, com prisão domiciliar por 120 dias e imposição de medidas cautelares.
Entre as condições, estão:
Além disso, ela só pode receber visitas autorizadas pelo STF, exceto as de seus advogados.
Aline Bastos foi condenada pela Primeira Turma do STF. Ela foi acusada de ter organizado uma caravana que saiu de Montes Claros com destino a Brasília (DF) para participar das manifestações de 8 de janeiro de 2023. A condenação também se baseou em um vídeo gravado por ela na capital federal e compartilhado nas redes sociais.
A defesa apresentou embargos de declaração, negando que ela tenha organizado a caravana. Sustentou ainda que a advogada não entrou em prédios públicos nem depredou patrimônio. No entanto, os argumentos não foram aceitos por Alexandre de Moraes e pelos demais integrantes da Primeira Turma.