Petrobras antecipa operação da plataforma P-79 em Búzios e amplia potencial de produção

FPSO começou a operar no feriado de 1º de maio, três meses antes do previsto, e pode elevar a oferta de óleo e gás no Campo de Búzios, na Bacia de Santos

02/05/2026 às 10:29 por Redação Plox

A Petrobras informou que, no feriado de 1º de maio, iniciou a operação da plataforma de produção de petróleo e gás P-79, instalada no Campo de Búzios, na Bacia de Santos, no litoral do Sudeste. Segundo a empresa, o início foi antecipado em três meses.

A estrutura tem capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás por dia. O navio-plataforma é do tipo FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência).

Com a entrada da P-79, que é a oitava plataforma em operação em Búzios, a produção do campo deve chegar a cerca de 1,33 milhão de barris de óleo por dia.

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Petrobras antecipa operação da plataforma P-79 em Búzios e amplia potencial de produção

Foto: Petrobras/Divulgação


Gás para o continente e aumento da oferta

A operação foi planejada para exportar gás ao continente por meio do gasoduto Rota 3. A expectativa é que a iniciativa acrescente até 3 milhões de m³ por dia à oferta de gás no país.

A P-79 foi construída na Coreia do Sul e chegou ao Brasil em fevereiro. O FPSO já veio do país asiático com uma equipe da Petrobras a bordo, com o objetivo de adiantar os procedimentos de comissionamento — etapa de montagem para a entrada em operação — e ganhar tempo para o início da produção.*

O mesmo procedimento já havia sido adotado com a P-78, também em Búzios, que entrou em operação em dezembro de 2025.

Búzios 8: novo módulo prevê 14 poços

A P-79 integra o chamado Búzios 8, módulo de produção que prevê 14 poços: oito produtores e seis injetores, usados para manter a pressão do reservatório e empurrar o petróleo em direção aos poços produtores.

Descoberto em 2010, o Campo de Búzios é o maior do país em reservas de petróleo e, no ano passado, superou a marca de 1 milhão de barris produzidos diariamente.

Búzios está a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro — distância equivalente à de Brasília a Goiânia. O reservatório fica a 2 mil metros de profundidade, comparação descrita como a altura de 38 estátuas do Cristo Redentor empilhadas.

Além da P-79, operam no Campo de Búzios os FPSO P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.

Novas plataformas e consórcio

A Petrobras planeja acrescentar quatro plataformas ao campo nos próximos anos. Três delas já estão em construção — P-80, P-82 e P-83 — e a quarta está em licitação.

A produção de óleo e gás em Búzios ocorre por meio de um consórcio, no qual a estatal brasileira atua como operadora. Também participam as chinesas CNOOC e CNODC, além da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), estatal federal que representa a União.

Operação começa em meio a alta internacional do petróleo

O início da operação da P-79 ocorre em um momento de choque no preço do petróleo, associado à guerra no Irã. O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã.

A região reúne países produtores e abriga o Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga os golfos Pérsico e de Omã e por onde passam 20% da produção mundial de óleo e gás. Uma das retaliações do Irã citadas no contexto do conflito é o bloqueio do estreito, ao sul do país.

O reflexo observado é um distúrbio na logística da indústria do petróleo, com redução da oferta e, como consequência, aumento de preços no mercado internacional.

Impacto nos combustíveis e medidas no Brasil

O petróleo e derivados como gasolina e óleo diesel são commodities, negociadas a preços internacionais — o que ajuda a explicar altas também em países produtores, como o Brasil.

Além disso, o país ainda importa parte dos derivados. No caso do diesel, cerca de 30% do consumo interno vem do exterior. A Petrobras já manifestou que estuda tornar o Brasil autossuficiente no combustível em até cinco anos.

O governo brasileiro tem adotado iniciativas para conter a escalada dos preços dos derivados, incluindo isenção de impostos e subsídios a produtores e importadores.

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