Estudo aponta que Aedes aegypti pode aprender a ignorar repelente

Autores destacam que o achado não indica resistência ao repelente, que segue entre os mais eficazes; pesquisa reforça orientações de reaplicação e outras medidas de prevenção.

02/07/2026 às 19:59 por Redação Plox

A reportagem descreve uma pesquisa interessante, mas é importante interpretar os resultados com cautela.

O estudo

O estudo, publicado no periódico científico Journal of Experimental Biology, sugere que o mosquito Aedes aegypti pode aprender a associar o odor do DEET (um dos repelentes mais utilizados no mundo) à obtenção de alimento quando exposto repetidamente a situações específicas em laboratório.

Os principais achados foram:

  • Mosquitos treinados a receber sangue enquanto sentiam o cheiro do DEET passaram a demonstrar maior interesse pelo odor.
  • Mais de 60% dos insetos treinados tentaram picar quando expostos apenas ao cheiro do repelente, contra 13% a 23% dos grupos de controle.
  • Em testes posteriores, alguns mosquitos treinados chegaram a preferir pousar em uma mão tratada com DEET.
  • O mesmo padrão de aprendizado foi observado quando a recompensa era açúcar, e não sangue.

No entanto

No entanto, isso não significa que o mosquito da dengue tenha se tornado resistente ou imune aos repelentes. Os próprios pesquisadores ressaltam que:

  • Os experimentos ocorreram em condições controladas de laboratório.
  • O DEET continua sendo considerado um dos repelentes mais eficazes disponíveis.
  • Não há evidências de que as pessoas devam deixar de usar repelentes à base de DEET.

Uma possível implicação prática

Uma possível implicação prática levantada pelos autores é que repelentes aplicados há muito tempo podem perder parte da eficácia. Nessa situação, o mosquito ainda perceberia o odor, mas a concentração do produto poderia não ser suficiente para afastá-lo completamente. Se ele conseguir se alimentar repetidamente nessas condições, poderia aprender a associar aquele cheiro à presença de alimento.

Por enquanto

Por enquanto, as recomendações de prevenção permanecem as mesmas: usar repelentes conforme as instruções do fabricante, reaplicar quando necessário, eliminar criadouros do mosquito e utilizar barreiras físicas como telas e mosquiteiros. O estudo contribui para compreender melhor o comportamento do mosquito, mas não altera as orientações atuais de proteção contra dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

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