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Vice-presidente classificou a medida de 25% como injusta e descabida e afirmou que o governo buscará proteger empregos, empresas e exportadores afetados.
O Ministério da Saúde avalia protocolos para que medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras possam, futuramente, ser incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em entrevista concedida durante agenda em Belo Horizonte nesta quinta-feira (2), o ministro Alexandre Padilha afirmou que uma eventual oferta deverá ter indicação médica, acompanhamento especializado e foco no tratamento da obesidade, sem finalidade meramente estética.
Canetas emagrecedoras viraram 'febre' no Brasil nos últimos anos
Foto: Freepik/Reprodução
Padilha defendeu que esses medicamentos sejam considerados uma das ferramentas disponíveis contra a doença, ao lado de alimentação adequada, atividade física e acompanhamento de equipes multiprofissionais. Segundo ele, a intenção não é apresentar as canetas como uma solução isolada ou como um “milagre estético”.
O governo iniciou, em junho, um projeto-piloto com semaglutida no Grupo Hospitalar Conceição, hospital federal localizado em Porto Alegre. O estudo, chamado Real-Bari, acompanhará 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças, incluindo pessoas com indicação para cirurgia bariátrica e comprometimento cardíaco.
Durante dois anos, os pesquisadores analisarão a perda de peso, a qualidade de vida, os exames clínicos, as condições para realização da cirurgia, a recuperação pós-operatória e o custo do tratamento para a rede pública. Os participantes também precisam ter histórico de tentativa de tratamento convencional, com dieta estruturada e prática de atividade física, antes de ingressarem na pesquisa.
Apesar do início do projeto, a semaglutida e a liraglutida ainda não fazem parte da lista de medicamentos oferecidos regularmente pelo SUS para tratamento da obesidade. Qualquer incorporação dependerá de avaliação técnica, científica e orçamentária da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a semaglutida para pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, com idade a partir de 45 anos e doença cardiovascular estabelecida. Os resultados do novo estudo poderão produzir dados nacionais para futuras análises sobre o uso do medicamento na rede pública.
O ministério afirma que o enfrentamento à obesidade também envolve ações preventivas nas unidades básicas de saúde, orientação nutricional, suporte psicológico e incentivo à atividade física. Dados da pasta indicam que o SUS realizou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade em 2025, número 57% maior que o registrado em 2022.
As canetas emagrecedoras exigem prescrição médica em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia. A Anvisa alerta que o uso sem acompanhamento ou fora das indicações aprovadas pode aumentar o risco de reações graves, incluindo pancreatite aguda. A eventual ampliação do tratamento no SUS, portanto, dependerá dos resultados do projeto e de uma nova decisão formal das autoridades de saúde.