Mãe de Jundiaí transforma luto em alerta sobre dependência em apostas online
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As chuvas registradas em junho reduziram o ritmo da colheita do café em Minas Gerais e aumentaram a preocupação com a qualidade dos grãos. A estimativa do Sistema Faemg Senar é de que cerca de 30% da produção tenha sido retirada das lavouras, enquanto, no mesmo período do ano passado, o índice chegava a aproximadamente 50%.
Wilson Dias
Foto: /Agência Brasil
O atraso é mais intenso nas regiões mineiras que permaneceram úmidas, onde a colheita está próxima de 20%. Já no Leste do estado e em áreas de chapada, o tempo mais seco permitiu um avanço maior dos trabalhos. A analista de agronegócio Ana Carolina Gomes explica que o excesso de umidade também retardou a maturação dos frutos.
Outro problema é a queda de frutos maduros no solo. O contato com a terra aumenta o risco de contaminação por microrganismos, pode alterar a qualidade da bebida e cria condições favoráveis à presença da broca-do-café.
Para evitar que os grãos recolhidos do chão comprometam o restante da produção, o cafeicultor precisa realizar uma nova passagem pela lavoura e separar esse café durante o beneficiamento. O trabalho adicional eleva os custos e pode fazer com que grãos inicialmente destinados ao mercado de cafés especiais sejam classificados em categorias inferiores, com menor valor comercial.
Apesar das dificuldades enfrentadas nas propriedades, ainda não é possível afirmar que o café ficará mais caro nos supermercados. A Companhia Nacional de Abastecimento estima uma produção brasileira de 66,7 milhões de sacas em 2026, crescimento de 18% e possível recorde histórico. Para Minas Gerais, a projeção é de 33,4 milhões de sacas, alta de 29,8% sobre a temporada anterior. Os números, no entanto, foram calculados antes da avaliação completa dos efeitos das chuvas de junho.
O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café, Celírio Inácio, avalia que uma eventual perda de produtividade ou de qualidade poderá elevar o custo de compra do café verde pelas indústrias e pressionar os preços finais. Ele ressalta, porém, que o cenário ainda está sendo acompanhado e que não há base para antecipar uma nova escalada de preços.
A próxima safra também entrou no radar do setor. O Instituto Nacional de Meteorologia informou que o El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico e poderá ganhar força durante a primavera de 2026, com possibilidade de persistir até o fim do verão de 2027. Os efeitos variam conforme a região e a intensidade do fenômeno.
Na cafeicultura, a primavera é decisiva para a florada, a fixação dos frutos e o desenvolvimento dos grãos. Por isso, períodos prolongados de estiagem ou chuvas mal distribuídas poderão afetar o potencial da produção de 2027. O tamanho dos impactos dependerá do comportamento do clima nos próximos meses e das condições observadas em cada região produtora.