Fiocruz Minas identifica proteínas da malária que podem embasar vacina contra diferentes espécies

Estudo publicado na Nature mapeou 453 peptídeos do gênero Plasmodium e apontou antígenos com resposta protetora em testes; ainda não há vacina pronta.

02/07/2026 às 09:16 por Redação Plox

Pesquisadores da Fiocruz Minas, em Belo Horizonte, identificaram centenas de fragmentos de proteínas do parasita causador da malária que poderão servir de base para uma vacina capaz de agir contra diferentes espécies e em mais de uma fase da infecção. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (1º) na revista científica Nature.


Fiocruz identifica alvos que podem levar a vacina mais ampla contra a malária.

Foto: Alex Wild / Insects Unlocked / Wikimedia Commons



A pesquisa concentrou-se na ação dos linfócitos T CD8+, células do sistema imunológico que reconhecem e destroem células infectadas. A estratégia difere de abordagens voltadas principalmente à produção de anticorpos e busca encontrar alvos que permaneçam presentes durante diferentes etapas do ciclo do parasita.

Estudo mapeou 453 fragmentos do parasita

Por meio de uma técnica conhecida como imunoproteômica, os cientistas encontraram 453 peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas, associados a 166 proteínas do gênero Plasmodium. Entre os alvos identificados, 75 são proteínas essenciais ao funcionamento do parasita, conservadas entre diferentes espécies e produzidas em várias fases da infecção. 


Foto: Divulgação/Fio Cruz/Minas


A capacidade de provocar uma reação imunológica foi confirmada em amostras de pessoas infectadas por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum. Respostas de células T também foram observadas no sangue e no fígado de primatas após infecção pelo parasita ou imunização experimental.

Proteção foi observada em testes com animais

Em experimentos realizados com roedores, dois dos antígenos identificados induziram uma resposta protetora mediada pelos linfócitos T CD8+. O resultado indica que os alvos não foram apenas reconhecidos pelo sistema imunológico, mas também contribuíram para controlar a infecção nos modelos testados.

Atualmente, as vacinas RTS,S e R21, recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, são destinadas principalmente à prevenção da malária provocada pelo P. falciparum em crianças que vivem em regiões endêmicas. Os novos alvos estudados pela Fiocruz poderão ampliar a busca por imunizantes que também atuem contra outras espécies, como o P. vivax, predominante nas Américas.

A descoberta ainda não representa uma vacina pronta. Os fragmentos precisarão passar por novas validações, formulação de candidatos vacinais, estudos de segurança e testes clínicos em seres humanos antes de qualquer possibilidade de uso. A expectativa dos pesquisadores é que os resultados orientem novos projetos voltados a uma proteção mais abrangente contra a doença.

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