Proporção de crianças de 10 a 13 anos com celular próprio cai pela 1ª vez no Brasil, diz IBGE

Segundo a Pnad Contínua, o índice passou de 56,7% para 55,2% em 2025; entre responsáveis por crianças sem aparelho, 32% citaram privacidade e segurança como motivo para adiar a compra.

02/07/2026 às 12:55 por Redação Plox

A proporção de crianças de 10 a 13 anos com telefone celular próprio caiu pela primeira vez no Brasil desde o início da série histórica, em 2016. Em 2025, 55,2% das pessoas dessa faixa etária tinham o aparelho, ante 56,7% no ano anterior, redução de 1,5 ponto percentual. O grupo foi o único a registrar recuo, segundo a Pnad Contínua divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE


Uso de celular entre crianças cai pela primeira vez, e segurança pesa na decisão das famílias.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência


Entre os responsáveis por crianças que ainda não possuem celular, 32% apontaram a preocupação com privacidade e segurança como principal motivo para adiar a aquisição. O percentual avançou 7,8 pontos em relação a 2024 e quase dobrou na comparação com 2022. Naquele ano, o preço do aparelho, a falta de necessidade e o uso do telefone de outra pessoa apareciam à frente desse receio.

Exposição nas redes e restrição nas escolas

A mudança ocorre em meio ao aumento do debate sobre exposição de crianças nas redes sociais e riscos no ambiente digital. O analista do IBGE Gustavo Fontes avaliou que a preocupação das famílias ganhou força e lembrou que, em 2025, também entrou em vigor a legislação federal que restringiu o uso de celulares por estudantes durante aulas, recreios e intervalos nas escolas de educação básica. 


Mudança ocorre em meio ao aumento do debate sobre exposição de crianças nas redes sociais e riscos no ambiente digital.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


A pesquisa não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre a lei e a queda na posse de aparelhos. Os dados, porém, também mostram leve redução no acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, de 84,9% para 84,4%. A preocupação com privacidade ou segurança foi citada por 30,3% dos integrantes dessa faixa etária que não acessaram a rede. 


Pesquisa não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre a lei e a queda na posse de aparelhos.

Foto: Divulgação/Allef Renan


O comportamento das crianças contrasta com o avanço registrado no restante da população. Em 2025, 89,8% dos brasileiros com 10 anos ou mais tinham celular para uso pessoal, enquanto 90,5% utilizaram a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Foi a primeira vez que o acesso à rede ultrapassou 90% no país.

Acesso cresce entre os idosos

Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o uso da internet subiu 4,4 pontos percentuais em um ano e chegou a 74,5%. A parcela de idosos com celular próprio também avançou, passando de 78,3% para 80,3%. Para aqueles que continuam desconectados, a dificuldade de utilizar os aparelhos e a internet permanece como o principal obstáculo.

O levantamento aponta ainda que 74,2% dos usuários da internet acessaram bancos ou instituições financeiras pela rede em 2025. Mais da metade, 52,7%, comprou ou encomendou produtos e serviços online, enquanto 41,1% utilizou algum serviço público digital. Chamadas de voz ou vídeo continuaram como a atividade mais frequente, realizadas por 95,3% dos usuários.

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