Com salto histórico, México supera EUA na compra de carne brasileira

Com crescimento de 423% nas importações em seis meses, México supera Estados Unidos e fica atrás apenas da China nas compras da proteína brasileira

Por Plox

02/08/2025 09h00 - Atualizado há 28 dias

As exportações de carne bovina do Brasil tomaram um novo rumo em 2025, com destaque para a ascensão do México como um dos principais compradores do produto brasileiro.


Imagem Foto: Divulgação


O país latino-americano, que até 2024 não aparecia nem entre os dez maiores importadores da proteína nacional, saltou para a segunda colocação no ranking global, ficando atrás apenas da China. Esse crescimento acelerado contrasta com a queda brusca nas compras dos Estados Unidos, principal reflexo do aumento da tarifa imposta pelo presidente Donald Trump.


Em janeiro, o México importou 3,1 mil toneladas de carne bovina brasileira. Em abril, esse número já havia saltado para 11 mil toneladas, e em junho atingiu o recorde de 16,2 mil toneladas — um avanço de 423% em apenas seis meses. Durante o mesmo período, os EUA registraram queda expressiva nas aquisições, passando de 44,2 mil toneladas em abril para 13,5 mil em junho.



Entre 1º e 28 de julho, os dados apontam equilíbrio no volume exportado para os dois países: enquanto os americanos compraram 12,3 mil toneladas, os mexicanos adquiriram 12,1 mil toneladas. No quesito valor, o México já superou os EUA, com gastos de US$ 69 milhões contra US$ 68,7 milhões dos norte-americanos.


A imposição de uma tarifa global de 10% pelos EUA, em abril, fez com que o país norte-americano reduzisse drasticamente suas importações. O agravamento veio com a ameaça de aumento para 50% a partir de 6 de agosto, o que acelerou ainda mais a movimentação de outros países na busca pela carne brasileira.



Além do México, o Chile também vem aumentando sua participação. Os chilenos passaram de US$ 45 milhões em compras em janeiro para US$ 66,5 milhões em julho. Já a China permanece como o maior destino da proteína brasileira, tendo gasto US$ 740 milhões em junho e mais de US$ 732 milhões entre 1º e 28 de julho, com a compra de 132 mil toneladas.


No cenário geral, o Brasil, que lidera o mercado mundial de exportação de carne bovina, alcançou em julho (mesmo com dados apenas até o dia 28) o maior volume mensal da última década: US$ 1,352 bilhão, superando o resultado de junho, que foi de US$ 1,313 bilhão. Em comparação com julho de 2024, o crescimento é de pelo menos 30%.



Diante das sanções impostas pelos EUA, o governo federal e representantes do setor seguem tentando reverter o cenário. A estratégia inclui negociações com autoridades americanas, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em uma tentativa de incluir mais empresas brasileiras na lista de exceções ao tarifaço.


Mesmo com o ambiente de tensão política, especialmente após as sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, o governo Lula mantém o foco nas tratativas econômicas, buscando garantir espaço para a carne brasileira no mercado norte-americano. Hoje, o Brasil ainda é o maior fornecedor de carne bovina para os EUA, seguido por Austrália, Nova Zelândia e Uruguai.


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