MC Poze do Rodo vira réu por sequestro e tortura de ex-empresário
Justiça do Rio aceita denúncia contra cantor e mais seis acusados; prisão preventiva e sequestro de bens foram negados
Por Plox
02/08/2025 15h43 - Atualizado há 28 dias
O cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, mais conhecido pelo nome artístico MC Poze do Rodo, passou a ser réu na Justiça do Rio de Janeiro por crimes graves contra seu ex-empresário, Renato Antonio Medeiros. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (1º) pelo juiz Guilherme Schilling Duarte, da 11ª Vara Criminal, que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual.

A acusação envolve tortura e extorsão mediante sequestro. Segundo a denúncia, o ex-empresário foi agredido brutalmente em fevereiro de 2023, dentro da residência do cantor, em Vargem Grande, na zona oeste da capital fluminense. O motivo alegado seria o desaparecimento de parte de uma pulseira de ouro, o que teria gerado uma série de agressões físicas e psicológicas com o objetivo de forçar uma confissão.
Mesmo após o objeto ser devolvido, Renato Medeiros permaneceu em cárcere privado por cerca de uma hora e meia. Nesse período, ele teria sido espancado com socos e chutes, queimado com cigarros e ferido com uma arma artesanal feita de madeira com pregos. Conforme apontado no laudo pericial, as agressões provocaram fraturas, lesões extensas e deformidades permanentes.
Além de MC Poze, outros seis homens também foram denunciados e agora são réus no mesmo processo: Fábio Gean Ferreira da Silva, conhecido como Loirinho; Leonardo da Silva de Melo, o Leo; Matheus Ferreira de Castilhos, chamado de Tiza; Maurício dos Santos da Silva; Rafael Souza de Andrade, apelidado de Casca; e Richard Matheus da Silva Sophia. Todos responderão pelos crimes em liberdade.
A Justiça também negou o pedido de prisão preventiva dos acusados, bem como o bloqueio de bens do cantor, no valor de R$ 300 mil, que seria destinado a uma eventual indenização por danos morais e materiais a Renato Medeiros.
“Verifico que há indícios de materialidade e de autoria delitiva nas figuras dos acusados, e a inicial descreve os fatos criminosos em todas suas circunstâncias”, justificou o magistrado ao acatar a denúncia.
Em resposta, o advogado de defesa de MC Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, declarou em nota que espera a absolvição de seu cliente:
“A decisão que recebeu a denúncia é a mesma que afasta por completo o inusitado e incabível pedido de prisão preventiva para quem, desde sempre, respeita de forma incontestável todas as decisões do Poder Judiciário. Confiamos que ao fim deste processo a Justiça será feita e Marlon será inocentado de todas as acusações.”
Essa não é a primeira vez que o nome do artista aparece em investigações policiais. Em maio deste ano, MC Poze foi preso por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. De acordo com a polícia, as letras de suas músicas fariam apologia ao tráfico de drogas e uso de armas de fogo, além de estimular confrontos entre facções rivais. Ele também é investigado por possível ligação com o Comando Vermelho, uma das principais organizações criminosas do estado.
Apesar das acusações, o cantor foi liberado cinco dias após sua prisão, por determinação judicial. O processo seguirá agora com os trâmites regulares, enquanto os réus aguardam o julgamento em liberdade.