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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ocupar uma posição especialmente sensível no cenário político de 2026 por concentrar a relatoria de investigações relacionadas às fraudes contra aposentados do INSS e ao Banco Master. Os dois casos atingem personagens com conexões políticas e podem produzir novos desdobramentos durante a campanha eleitoral.
André Mendonça
Foto: STF
A avaliação de que as apurações têm
alto potencial eleitoral foi feita pelo editor da revista Veja José Benedito da Silva.Segundo ele, decisões tomadas por Mendonça tendem a ser examinadas e exploradas politicamente por diferentes lados da disputa, sobretudo porque os casos alcançam ou mencionam figuras ligadas a campos adversários.
O caso mais recente de maior impacto é o do Banco Master. Mendonça assumiu a relatoria da investigação em fevereiro, após Dias Toffoli deixar o processo. O ministro já era responsável pelo inquérito relacionado aos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Nesta semana, a tensão aumentou depois da divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que fazem referências ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça defendeu que os novos elementos sejam examinados pelo plenário do STF em sessão pública. A decisão sobre colocar o tema em pauta cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin.
A Procuradoria-Geral da República, porém, pediu a anulação da parte da investigação relacionada às conversas. O procurador-geral Paulo Gonet sustentou que o aprofundamento das apurações envolvendo Moraes precisaria de autorização do plenário do Supremo. Trata-se da posição da PGR, que ainda será submetida à análise no STF.
A pressão sobre Mendonça aumentou ainda nesta quarta-feira (2), quando seu gabinete confirmou que o ministro se reuniu com Daniel Vorcaro em março de 2025. A versão apresentada pelo magistrado é de que houve apenas um encontro, realizado por iniciativa do empresário, e que ele se limitou a ouvi-lo.
Segundo Mendonça, a conversa tratou de um processo envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master. O gabinete afirmou ainda que a atuação posterior do ministro nesse processo foi contrária à posição defendida por Vorcaro.
No caso do INSS, Mendonça supervisiona o inquérito relacionado aos descontos associativos indevidos. Em agosto, por exemplo, autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto que teve entre os investigados o senador Weverton Rocha (PDT-MA). As investigações apuram suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro e movimentações patrimoniais relacionadas ao esquema.
A análise publicada pela Veja é de que esse conjunto de casos pode transformar Mendonça em personagem cada vez mais presente na disputa política. Juridicamente, porém, as investigações permanecem em andamento, e citações, suspeitas ou diligências não significam comprovação de responsabilidade dos envolvidos. Nos próximos dias, Fachin também deverá definir quais providências institucionais serão adotadas pelo STF diante das novas informações do caso Master.