Contrato de escritório da esposa de Moraes com Banco Master previa consultoria em inquéritos

Acordo vigorou entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, com pagamento mensal líquido de até R$ 3 milhões.

02/09/2026 às 22:59 por Redação Plox

O contrato entre o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Banco Master incluía serviços de “consultoria estratégica e jurídica” em procedimentos e inquéritos policiais conduzidos pela Polícia Federal (PF), segundo relatório obtido a partir de investigação autorizada pelo ministro André Mendonça.

Relatório da PF sugere que Vorcaro consultou Moraes sobre cerco da PF ao Master

Relatório da PF sugere que Vorcaro consultou Moraes sobre cerco da PF ao Master

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O acordo entre o escritório Barci de Moraes e o banco esteve em vigor entre janeiro de 2024 e novembro de 2025 e previa pagamento mensal líquido de até R$ 3 milhões. Entre os serviços contratados estava a atuação em procedimentos ou inquéritos policiais nas polícias Federal e civis, além de consultorias em processos administrativos e programas de integridade.

Relatório aponta consultas de Vorcaro sobre investigação da PF

O relatório da PF, cujo sigilo foi derrubado por Mendonça, reúne informações localizadas no material apreendido durante a apuração sobre uma suposta rede de influência ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o documento, Vorcaro teria feito consultas ao ministro Alexandre de Moraes sobre uma investigação que já estava em andamento e que apurava uma suposta fraude estimada em R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master.

Em mensagens atribuídas ao banqueiro, ele teria questionado se pessoas identificadas no relatório como Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, poderiam ajudar a reverter ou adiar medidas relacionadas à investigação.

Pedidos teriam envolvido diretor-geral da PF

De acordo com o relatório, em uma das conversas, Vorcaro teria pedido que Moraes tentasse sensibilizar Andrei Rodrigues para um possível adiamento de ações da PF. O banqueiro alegava que uma postergação poderia evitar uma crise de liquidez no banco.

O material também aponta que Vorcaro teria enviado ao ministro uma lista com nomes de agentes da Polícia Federal que, segundo ele, estariam envolvidos em diligências relacionadas ao caso. Entre os citados estaria o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, além da delegada Janaína Palazzo.

Escritório e ministro foram procurados

A reportagem procurou o escritório Barci de Moraes para questionar o significado da consultoria prevista no contrato e uma possível relação com o cargo ocupado por Alexandre de Moraes no STF. O escritório informou que não comentaria o assunto. O ministro também foi procurado e não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

O relatório da PF ressalta que o material reúne dados e informações do acervo probatório, mas que não foram realizadas diligências policiais específicas para apurar possíveis crimes relacionados às condutas descritas.

O contrato entre o escritório e o Banco Master também abrangia consultorias em processos administrativos no Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de serviços ligados ao programa de integridade da instituição financeira.

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