OAB-DF abre apuração disciplinar sobre sócios de escritório ligado à família de Moraes
Procedimento envolve integrantes do Barci & Barci Advogados e se baseia em informações de relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
Daniel Vorcaro negociou a entrega de participações vinculadas a um jato Legacy 650 e a um helicóptero Airbus EC 155 B1 como parte do pagamento de uma contratação de R$ 50 milhões envolvendo a Viking Participações e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As informações constam de documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal e tornados públicos no inquérito sobre o Banco Master.
Segundo a PF, Vorcaro negociou cotas de jato e helicóptero para pagar contrato com escritório da esposa de Moraes, aponta PF
Foto: Reprodução
A PF localizou um contrato datado de 12 de maio de 2025 e um termo de acordo e dação em pagamento de 19 de maio. Pelos documentos, R$ 40 milhões seriam quitados por meio de ativos relacionados às aeronaves e outros R$ 10 milhões seriam destinados a despesas e reembolsos ligados à utilização dos bens. O escritório Barci de Moraes, porém, contesta essa versão e afirma que a proposta não foi aceita e que uma segunda contratação não chegou a ser concretizada.
PF examinou os dados que acompanhavam um arquivo enviado em uma das conversas: a minuta de um contrato do escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro, enviada a Vorcaro.
Foto: PF/STF/Reprodução
A negociação envolvia a Fraction 024 Administração de Bem Próprio, ligada ao Legacy 650 de prefixo PP-NLR, e outra empresa relacionada à aquisição do helicóptero EC 155 B1. Documentos comerciais analisados pela PF atribuíam cerca de US$ 5,51 milhões à participação relacionada ao avião e US$ 1,33 milhão à do helicóptero, totalizando aproximadamente US$ 6,85 milhões. Esses valores se referiam às participações negociadas e não necessariamente ao preço integral das aeronaves.
As mensagens recuperadas do celular de Vorcaro mostram discussões sobre a forma de realizar a operação. Em uma delas, ao analisar alternativas apresentadas por um advogado, o então banqueiro afirmou que os ativos já seriam destinados aos beneficiários da negociação. A PF também identificou conversas posteriores sobre a estrutura patrimonial que seria usada para manter as participações.
Em julho de 2025, Vorcaro perguntou a um executivo ligado à empresa responsável pelo compartilhamento das aeronaves se elas estavam sendo utilizadas. O interlocutor respondeu, segundo o relatório, que já haviam sido usados avião e helicóptero. Em outra conversa reproduzida pela PF, Viviane Barci confirmou a um executivo estar satisfeita com a utilização das cotas. Em agosto, Vorcaro também foi informado sobre um voo agendado para “Barci” e orientou que o atendimento fosse mantido.
O material analisado pela investigação, contudo, não permite tratar como incontroversa uma transferência formal das participações. O escritório Barci de Moraes afirma que possuía apenas a contratação anterior com o Banco Master, nega transferência ou substituição daquele acordo e sustenta que a nova proposta
“não foi aceita” e que “nada foi assinado”.A banca diz ainda que o vínculo original terminou com a liquidação do banco.