OAB-DF abre apuração disciplinar sobre sócios de escritório ligado à família de Moraes
Procedimento envolve integrantes do Barci & Barci Advogados e se baseia em informações de relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria (PP-RN) aparece em relatório da Polícia Federal como personagem da aproximação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens extraídas do celular do banqueiro indicam que Faria teria repassado o telefone de Moraes, ajudado a organizar encontros e participado de conversas relacionadas à contratação do escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Faria (foto) foi ministro das Comunicações do governo Bolsonaro entre 2020 e 2022
Foto: Edilson Rodrigues/Agênci
O material foi encaminhado pela PF ao ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo. Os registros apontam que os primeiros encontros entre Vorcaro e Moraes teriam sido articulados por Faria no fim de 2023. A Folha de S.Paulo também informou que mensagens analisadas pela investigação indicam pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro, com participação do ex-ministro na articulação inicial.
Em janeiro de 2024, uma conversa atribuída a Faria e Vorcaro tratou do prazo de um contrato que seria firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A versão final previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, incluídos impostos, por três anos, o que poderia levar o valor total a cerca de R$ 131 milhões.
A Polícia Federal também identificou nos metadados da minuta que a última alteração do arquivo teria sido realizada por uma conta identificada como “Ministro Alexandre de Moraes”. Em nota divulgada após a repercussão do caso, o escritório Barci de Moraes afirmou que Moraes analisou o documento a pedido do setor de compliance para verificar eventuais impedimentos legais. A banca declarou que não havia previsão de atuação perante o STF no contrato, que não existiria impedimento e que os serviços advocatícios foram prestados.
Outra troca de mensagens, registrada em março de 2024, mostra Faria alertando Vorcaro sobre atraso em um pagamento. Em uma das mensagens reproduzidas no relatório, o ex-ministro afirma que
“o careca não pode atrasar”, expressão interpretada pelos investigadores no contexto das conversas como referência a Moraes.
Logo depois, Vorcaro cobrou o tesoureiro do Master e classificou o acordo com o Barci de Moraes como o “contrato mais importante” do banco. Naquele mesmo contexto, foi realizado um pagamento de aproximadamente R$ 3,4 milhões ao escritório, conforme os registros bancários citados nas reportagens sobre o relatório da PF.
As mensagens também indicam que Faria teria ajudado a organizar encontros particulares entre Vorcaro e Moraes, incluindo um jantar com os três casais em Brasília. Fábio Faria, procurado sobre o conteúdo revelado pela investigação, preferiu não se manifestar, segundo reportagem publicada pelo UOL.
O relatório faz parte das apurações relacionadas ao Banco Master e passou a ter seu conteúdo divulgado após decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de documentos do caso. As informações descritas pela Polícia Federal permanecem sujeitas à análise das autoridades responsáveis, e o conteúdo das mensagens, isoladamente, não representa conclusão judicial sobre eventual irregularidade dos envolvidos.